- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Indicado de Trump para embaixada jura que não se envolverá na eleição brasileira

Está no Brasil 247

O republicano Daniel Perez, escolhido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para chefiar a embaixada norte-americana no Brasil, afirmou que não pretende interferir no processo eleitoral brasileiro de outubro. A declaração ocorre em meio à tensão diplomática entre Brasília e Washington e enquanto seu nome ainda aguarda aval formal do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir o posto.

Segundo a CNN Brasil [1], Perez deu a declaração em entrevista à emissora local WPLG Local 10, de Miami, no domingo (23). Questionado sobre a eleição brasileira, ele disse que “não haverá nenhum envolvimento” de sua parte. “Isso cabe aos brasileiros decidir e eles têm um processo eleitoral pelo qual precisam passar em outubro. Quem quer que saia como vencedor, será o líder do Brasil e será com quem estarei trabalhando”, afirmou.

Perez reiterou que a disputa no Brasil deve ser definida exclusivamente pelos eleitores brasileiros. “Mas não, estamos aqui nos Estados Unidos agora, e as eleições nos Estados Unidos são as importantes para mim, especificamente na Flórida, claro. Mas a eleição no Brasil cabe aos brasileiros decidir, e quem quer que eles decidam como vencedor será a pessoa com quem trabalharei”, declarou.

Prioridade será a segurança dos norte-americanos, afirma Perez

Ao falar sobre suas prioridades caso venha a assumir a embaixada em Brasília, Perez afirmou que sua primeira preocupação será a proteção de cidadãos dos Estados Unidos em território brasileiro. “O primeiro objetivo será sempre a segurança e a proteção dos americanos que estão no Brasil”, disse.

Em seguida, segundo ele, virá a tentativa de reconstrução de pontes diplomáticas entre os dois países. Perez reconheceu a existência de um impasse entre Brasil e Estados Unidos e destacou a importância econômica da relação bilateral. “Logo depois disso, virá a diplomacia. Agora, há um certo impasse entre o Brasil e os Estados Unidos e é um país difícil para se estar em impasse, porque eles são um parceiro comercial muito grande para nós, o maior da América do Sul”, afirmou.

O indicado de Trump disse acreditar que a construção de relações políticas em Brasília poderá ajudar a reduzir a distância entre os dois governos. “Acredito que assim que eu colocar os pés no chão e construir esses relacionamentos, com sorte poderemos diminuir essa distância e continuar avançando de forma positiva. Esse é o objetivo, pelo menos. Mas acho que até eu chegar lá, é difícil dizer”, acrescentou.

Tarifas e interesses dos EUA

Na entrevista, Perez também comentou as tarifas anunciadas pelo governo Trump contra o Brasil e a recente ligação telefônica entre Trump e Lula. Ele afirmou que pretende participar das negociações defendendo a prioridade dos interesses econômicos norte-americanos.

“Não fui tímido quanto a isso. Claro que quero diplomacia. Claro que quero que nossos países se entendam. Mas estou lá em uma única missão, que é garantir que os Estados Unidos fiquem em uma posição melhor amanhã do que estão hoje”, declarou.

Perez afirmou que a economia estará no centro de sua atuação. “Parte disso é a economia. E acho que há um espaço aqui onde ambos os países podem ganhar. Há alguns setores em que estamos sendo taxados em 18, 19%. Etanol é um bom exemplo, por parte dos brasileiros. E estamos reciprocando essa taxa agora em 1,5%, 1%. Então, o que acho que estamos buscando aqui é apenas algum tipo de reciprocidade quando falamos de tarifas e impostos de modo geral”, disse.

Sobre a conversa entre Trump e Lula, Perez afirmou não ter detalhes do teor do diálogo. “Mas tenho certeza de que ambos estão tentando chegar a um acordo que seja benéfico para seus países”, pontuou.

Nome depende do aval do governo Lula

Embora a indicação de Perez já tenha sido aprovada pelo Senado dos Estados Unidos, sua posse no Brasil depende da concessão do agrément, documento pelo qual o país anfitrião informa que aceita formalmente o nome indicado para chefiar a missão diplomática.

No início do mês, Lula afirmou em entrevista que “não vai receber embaixador nenhum no Brasil até as eleições”. Sem o aval brasileiro, a indicação não pode avançar para as etapas finais previstas no rito diplomático.

À CNN Brasil, o professor da Temple University Lucas de Souza Martins explicou que “a partir daqui, não há como seguir com a indicação porque falta justamente a concessão do agrément”. Ele observou que, além desse aval, ainda seriam necessárias outras formalidades previstas na Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, como a comunicação ao Itamaraty sobre a chegada do embaixador e a entrega das cartas credenciais.

Crise diplomática se agravou com revogação de visto

A tensão entre os dois governos aumentou depois que a gestão Trump revogou o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. Uma autoridade do Departamento de Estado dos Estados Unidos classificou a medida como “ação recíproca” diante da demora do Brasil em conceder o agrément a Perez.

Washington indicou que o visto da embaixadora brasileira poderá ser restabelecido imediatamente caso o governo Lula aprove o nome indicado por Trump para a embaixada em Brasília.

O Palácio do Planalto reagiu afirmando que “o processo de concessão de agrément é confidencial e o nome designado só deveria vir a público depois de concedida a anuência”. Em nota, o governo brasileiro disse ainda que “o governo dos Estados Unidos anunciou publicamente o nome de seu candidato antes de apresentar o pedido formal de agrément ao governo brasileiro”.

“O Brasil segue estritamente o direito internacional. Não há regra na Convenção de Viena estipulando prazo para a concessão do agrément. O pedido norte-americano ainda se encontra em análise”, completou o Planalto.

Cubanos no Brasil

Filho de cubanos, Perez também comentou uma reportagem sobre o aumento da comunidade de imigrantes cubanos em Curitiba. Ele afirmou que não tinha conhecimento prévio da dimensão desse fluxo migratório para o Brasil.

“Eu não tinha ideia [de que havia tantos cubanos que imigraram para o Brasil]. E veja, você não pode culpá-los por tentar fugir da ilha de Cuba do jeito que está hoje. Acho que está em uma posição terrível. Acho que os americanos têm sido muito vocais sobre nossas crenças em relação ao regime, especificamente agora com as péssimas condições e a falta de direitos humanos que existem lá”, disse.

O republicano afirmou que pretende avaliar a situação quando chegar ao Brasil, caso receba o aval do governo brasileiro. “Assim que eu chegar lá, avaliarei a situação e verei como é. Mas não fui informado sobre nada disso formalmente […] Não foi surpreendente. Quero dizer, cubanos são lutadores. Somos resilientes. E acho que o que estamos sempre procurando é apenas oportunidade. E se o Brasil está dando a eles essa oportunidade, então é provavelmente por isso que tentaram sair de Cuba e encontraram um novo lar no Brasil”, concluiu.

Foto reproduzida da Internet

Compartilhe:
[2] [3]