Está no Correio Braziliense
Uma rebelião tomou conta do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante da decisão do comando do órgão de suspender a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) por sugestão de dois senadores, Gleisi Hoffmann (PT-PR) e Armando Monteiro (PTB-PE), sem comunicar os técnicos, a diretora de Pesquisas, Marcia Quintslr, e a coordenadora-geral da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (Ence), Denise Britz, pediram exoneração e 18 coordenadores de áreas puseram os cargos à disposição. A presidente do instituto, Wasmália Bivar, fez um apelo formal para que não houvesse uma debandada geral, mas a conversa com os coordenadores terminou em impasse. A demissão de Márcia e de Denise são irrevogáveis.
A tensão ontem no IBGE chegou ao nível máximo, tão logo a exoneração de Marcia Quintslr, uma da técnicas mais competentes do órgão, e de Denise Britz tornaram-se públicas. Os funcionários se revoltaram e exigiram explicações da Wasmália. Ela foi acusada de ceder às pressões do governo e de políticos para adequar as informações sobre a renda domiciliar aos cálculos da divisão do Fundo de Participação dos Estados (FPE), regulamentado pela Lei Complementar 143/2013. Gerentes e coordenadores de pesquisa, responsáveis por dados fundamentais ao país, como a inflação oficial e a taxa de desemprego nas principais regiões metropolitanas, enviaram uma carta ao conselho diretor denunciando que foram surpreendidos com a reprogramação do calendário das pesquisas e que não admitiriam dúvidas sobre “a eficiência do IBGE”.