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Investigado por irregularidades, filme sobre Bolsonaro pede lançamento à Ancine

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A distribuidora Europa Filmes protocolou na Agência Nacional do Cinema (Ancine) o pedido de registro de obra estrangeira para “Dark Horse”, longa-metragem sobre a eleição do ex-presidente Jair Bolsonaro. A informação foi confirmada pela própria agência e divulgada inicialmente pela Folha de São Paulo [1]. O procedimento é obrigatório para que produções internacionais possam ser lançadas comercialmente no Brasil.

Além desse registro, o filme ainda precisará obter o Certificado de Registro de Título junto à Ancine e a classificação indicativa, emitida pelo Ministério da Justiça, antes de ser exibido nas salas de cinema. Embora a análise desse tipo de solicitação costume levar cerca de um mês, a expectativa é de que o processo seja mais demorado neste caso.

Isso porque a Ancine conduz uma apuração sobre possíveis irregularidades envolvendo a produção, entre elas a suposta ausência da comunicação prévia exigida para filmagens de obras estrangeiras realizadas em território brasileiro.

Inicialmente planejado para estrear antes das eleições presidenciais de 4 de outubro, “Dark Horse” segue sem uma data oficial de lançamento.

O longa é dirigido pelo cineasta norte-americano Cyrus Nowrasteh, tem o ator Jim Caviezel no papel principal e contou com roteiro do deputado federal Mario Frias (PL-SP). A produção é assinada pela Go Up Entertainment, empresa brasileira sediada na Califórnia, e reuniu profissionais brasileiros e estrangeiros.

Desde o início das filmagens, entretanto, o projeto acumulou controvérsias. Entre elas estão denúncias de pagamentos em atraso, relatos de agressões e acusações de assédio moral envolvendo figurantes brasileiros durante a produção.

Outro foco de repercussão surgiu após a divulgação, pelo Intercept Brasil, de mensagens entre o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo a reportagem, Flávio solicitou recursos para concluir o filme, e Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões de um total de R$ 134 milhões previstos para financiar a produção.

O pedido de registro na Ancine ocorre poucos dias depois de a Paris Filmes divulgar uma nota informando que recusou uma proposta para distribuir o longa no mercado brasileiro. Sem essa parceria, a Europa Filmes assumiu o processo de distribuição.

Mesmo com uma distribuidora definida, o filme ainda enfrenta o desafio de conquistar espaço nas redes exibidoras. Segundo profissionais do setor audiovisual ouvidos pela Folha, produções com forte conteúdo político, especialmente em períodos eleitorais, costumam encontrar maior resistência por parte dos programadores de cinema.

Como referência recente, o documentário “A Colisão dos Destinos”, também centrado em Bolsonaro, foi lançado em maio em 17 estados, mas teve circulação limitada, ficando fora dos principais complexos exibidores e do circuito Rio-São Paulo.

A Europa Filmes mantém registro na Ancine desde 2010 e possui diversos títulos distribuídos no país. Em 2023, porém, a agência reprovou a prestação de contas da empresa relativa à distribuição do filme “Marcha da Vida”, sobre sobreviventes do Holocausto, determinando a devolução de recursos públicos utilizados no projeto.

Já a Go Up Entertainment está registrada na Ancine desde 2025 e ainda não lançou produções no Brasil nem no exterior. A empresa foi fundada pela jornalista Karina Ferreira da Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil. A entidade é alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) em razão de um repasse de R$ 2 milhões ao deputado Mario Frias para a produção de filmes.

Antes mesmo de obter uma distribuidora nacional, “Dark Horse” também entrou no radar da Justiça Eleitoral. O grupo Prerrogativas e o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) solicitaram investigação sobre o financiamento da obra ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), argumentando que o lançamento do filme durante o período eleitoral poderia transformá-lo em uma “peça de comunicação política de enorme impacto”. A produção retrata Bolsonaro sob uma perspectiva messiânica e apresenta o atentado a faca sofrido pelo então candidato, em 2018, como resultado de uma operação atribuída a adversários políticos.

Imagem reproduzida da Internet

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