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Judas: Dinheiro levado ao gabinete e até na garagem

Vi e ouvi atentamente o vídeo com a reprodução do depoimento de Carla Ubarana, serventuária do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, detida em prisão domiciliar sob a acusação de ser o pivô de um esquema montado dentro da Corte de Justiça para desviar recursos de precatórios. O vídeo foi colocado no ar pelo portal Nominuto.com e reproduzido no blog. Se existia alguma dúvida do envolvimento dos desembargadores e ex-presidentes do TJRN, Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro, no rumoroso caso, não existe mais. Espera-se agora que o relatório da sindicância do TJRN para apurar o caso confirme isso.

Ubarana conta em detalhes como ocorreu o desvio do dinheiro destinado a pagamento de precatórios. Chega a dizer que semanalmente eram entregues malotes, primeiro a Osvaldo Cruz quando na presidência do TJ, e depois a Rafael Godeiro, também na condição de presidente da Corte, contendo dinheiro do desvio de recursos. Segundo ela, esse dinheiro era em notas de R$ 100,00 para não fazer muito volume. Normalmente uma retirada de R$ 90 mil. Uma parte da quantia que era retirada toda semana do banco era pra ela. O dinheiro para Osvaldo Cruz era entregue no próprio gabinete da presidência. À Rafael Godeiro chegou a levar o dinheiro um dia em sua residência, entregando-lhe na garagem.

Uma pessoa que conta detalhes minuciosos não pode está mentindo. Disse ainda quem quem organizou todo o esquema foi Osvaldo Cruz e que Rafael Godeiro só veio a saber após ter assumido à presidência do TJRN. E aí começou a participar também do esquema. E que ela junto com o marido, preso também, guardava todo o dinheiro em casa. Primeiro numa pasta OO7. Depois numa bolsa maior. Por último, como a grana era tanta tiveram que colocar num cofre.

O dinheiro dos precatórios estava no Banespa sem identificação, conta Carla Ubarana. Depois, quando Osvaldo Cruz assumiu à presidência do TJRN foi aberta uma conta no Banco do Brasil. Como não tinha rubrica, Osvaldo Cruz, segundo a serventuária, perguntou a ela se o dinheiro poderia ser retirado, já que não tinha dono. Ela afirmou que sim, que poderia ser retirado. O valor total chegava na época a R$ 1,6 milhão, mas foi retirado algo em torno de R$ 500 mil, ressaltou no depoimento.

Confessou que tinha o controle da conta-corrente onde o dinheiro fora depositado e que foi criada uma conta para depósito judicial, porque de acordo com Carla Ubarana, é o maior rendimento que se tem até hoje de dinheiro parado.

– Essa foi a forma de fazer o dinheiro crescer e ser retirado e não dar diferença de caixa.

 Obs do blog: Para quem não viu o vídeo basta clicar Aqui [1]

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