O cerco se fecha cada vez mais. Sempre que vem uma nova informação sobre o escândalo dos precatórios, os desembargadores Osvaldo Cruz e Rafael Godeiro, denunciados no esquema de desvio de dinheiro pela ex-chefe do Setor de Precatórios, Carla Ubarana, pivô do escândalo, se veem cada vez mais com a batata assando.
Nesta quinta-feira (12) o Ministério Público disponibilizou parte do material colhido dentro das investigações da Operação Judas e reafirmou, através de seus promotores do Patrimônio Público, em coletiva de imprensa, que os desembargadores Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz concorreram para a prática do esquema de fraudes, razão pela qual o parquet pediu em caráter de urgência ao CNJ (Conselho Nacional de Justiça) que ambos sejam afastados do Judiciário do estado, segundo informa o repórter Dinarte Assunção, do portal Nominuto.com.
De acordo com a reportagem, pela primeira vez são tornados públicos os documentos que associam diretamente os desembargadores ao esquema de fraudes orquestrado no âmbito do TJRN e que perdurou por cinco anos, conforme atesta a peça do MP.
No calhamaço distribuído à imprensa, os promotores do Patrimônio Público publicizaram as ordens de pagamentos em nome dos laranjas do esquema, convertidos em réus, e que levam a assinatura de Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz.
Inaugura o calhamaço, diz o repórter, uma ordem de pagamento subscrita por Rafael Godeiro, no valor de R$ 79,5 mil, a Carlos Alberto Fasanaro, um dos laranjas utilizados no esquema para o desvio de recursos. O documento é referente a um processo de precatório do município de Tangará, e finda com a caligrafia fina e inclinada do então presidente do TJRN.
E mais:
Documentos semelhantes se sucedem nas várias páginas distribuídas à imprensa. As ordens de pagamentos são nominadas ou a Carlos Alberto Fasanaro ou a Cláudio Eduardo Cabral Palhares. Também foram disponibilizadas cópias de cheques em nome de Carla Ubarana, seu esposo, George Leal, e a empresa da qual é proprietário, a Glex Empreendimentos.