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Juíza que substituiu Moro na Lava Jato autorizou operação contra PCC, por coincidência, um dia após declaração de Lula

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A Operação Sequaz, da Polícia Federal, deflagrada na última quarta-feira (22) culminou com a prisão de nove pessoas e o anúncio público de que o senador Sergio Moro (União Brasil-PR) [1], ex-juiz da Lava Jato, e outras autoridades estariam sob risco de morte após terem sido “decretados” (sentenciados à morte, no jargão criminoso) pela maior organização criminosa do país, o PCC [2]. A operação foi chancelada pela juíza Gabriela Hardt [3], que no fim de 2018 substituiu o próprio Moro na Operação Lava Jato, quando o ex-juiz pediu exoneração para assumir em 2019 o Ministério da Justiça e Segurança do governo Bolsonaro.

Ainda na Lava Jato, foi Hardt quem assinou a sentença do presidente Lula (PT) sobre o processo do sítio de Atibaia (SP). Ela chegou a ser acusada de plagiar uma decisão de Moro sobre o suposto apartamento do Guarujá, mas depois explicou que seria comum usar decisões de colegas como base em processos semelhantes. Dessa vez, foi a magistrada quem assinou os mandados de busca e apreensão cumpridos na Operação Sequaz. Ela assumiu o caso, que está na 9ª Vara Criminal de Curitiba, após a magistrada titular sair de férias.

A partir do anúncio de que Moro seria um dos visados pela quadrilha, a extrema direita e outros setores políticos próximos do senador paranaense passaram a fazer uma ilação amalucada que de que Lula estaria tramando a morte de Moro, tentando reavivar uma fantasiosa teoria de conexão entre o PT e facções do tráfico de drogas.

Para dar mais consistência ao argumento foi usada uma declaração do presidente Lula (PT) [4], dada um dia antes, de que na época em que esteve preso ele só queria “foder o Moro”. Na mesma data, e portanto um dia antes da operação Sequaz, o ex-juiz reagiu dizendo que sua vida estaria ameaçada.

Lula esteve em Itaguaí, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (23), onde participou de uma cerimônia numa base da Marinha do Brasil, e ao lado de autoridades dos três poderes e de militares afirmou, durante uma entrevista, que a tal ameaça de morte vinda do crime organizado ao senador Sergio Moro (União Brasil-PR), ex-juiz da Lava Jato que o condenou e o colocou 580 dias na cadeia, foi “visivelmente armada” pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro.

“Eu acho que é mais uma armação do Moro… Mas eu vou ser cauteloso, eu vou descobrir o que aconteceu… É visível que é uma armação do Moro… Mas eu vou pesquisar, eu saber o porquê da sentença, até porque a juíza nem estava em atividade quando deu o parecer pra ele… Mas isso a gente vai esperar, eu não vou ficar atacando ninguém sem ter provas… Eu acho que é mais uma armação e se for uma armação, ele vai ficar mais desmascarado ainda, sabe? E eu não sei o que ele vai fazer da vida se ele continuar mentindo do jeito que tá mentindo”, declarou Lula.

Foto: Reprodução/Youtube

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