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Kicillof, que pode ser o próximo presidente argentino, pede desculpas ao Brasil pelos insultos de Milei

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O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, procurou o chanceler Mauro Vieira neste domingo (26) para afirmar que o presidente Javier Milei não representa o sentimento da população argentina. O gesto de retratação ocorreu após o chefe de Estado argentino atacar o presidente Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes durante um evento eleitoral em São Paulo.

Em publicação no X, antigo Twitter, Kicillof disse ter recebido com “vergonha alheia” as declarações do presidente Milei na Convenção Nacional do PL, realizada no sábado (25). O governador defendeu o respeito ao Brasil e a integração entre os países da região.

“Ontem vimos, com vergonha alheia, o presidente Milei ofender e insultar o governo do Brasil, seu presidente e todo um país. Da província de Buenos Aires, afirmamos que a Argentina respeita as nações irmãs e aposta na integração regional”, escreveu.

Kicillof informou que conversou com Mauro Vieira em nome do Partido Justicialista da província de Buenos Aires. Embora não tenha empregado literalmente a expressão “pedido de desculpas”, o governador procurou dissociar a sociedade argentina dos ataques feitos pelo presidente Milei.

“Hoje me comuniquei com Mauro Vieira, o chanceler do Brasil, em nome do Partido Justicialista de Buenos Aires, para transmitir que Milei não representa o sentir do povo argentino”, afirmou.

Uma eventual candidatura presidencial de Kicillof em 2027 vem ganhando espaço na política argentina. Levantamento da consultoria Proyección, realizado entre 1º e 10 de julho, apontou empate de 39,9% entre o governador e o presidente Milei em uma simulação de segundo turno. A pesquisa ouviu 1.817 pessoas e apresentou margem de erro de 2,3 pontos percentuais.

Governador alerta para riscos econômicos

Na manifestação, Kicillof também destacou a importância econômica do Brasil para a Argentina. Segundo ele, a deterioração das relações diplomáticas pode comprometer negócios, investimentos e empregos nos dois países.

“O Brasil é nosso principal sócio comercial. Com essas provocações, Milei coloca em risco investimentos, exportações, milhares de postos de trabalho e os interesses da Argentina, tudo para sustentar um candidato por pedido de Trump”, declarou.

O governador se referia ao apoio do presidente Milei à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), oficializada na convenção partidária. Durante o evento, o chefe de Estado argentino chamou o presidente Lula de “presidiário” e dirigiu ofensas ao ministro Alexandre de Moraes.

O presidente Milei também defendeu o ex-presidente Jair Bolsonaro e pediu a derrota do presidente Lula nas eleições brasileiras de outubro. Com isso, o governante argentino participou diretamente de um ato de campanha da oposição brasileira e atacou autoridades do país anfitrião.

“A relação com o Brasil merece responsabilidade, não provocações”, concluiu Kicillof.

Brasil convoca embaixador para consultas

A manifestação do governador ocorreu no mesmo dia em que o governo brasileiro convocou o embaixador em Buenos Aires, Julio Bitelli, para retornar a Brasília. A decisão foi confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores.

O Itamaraty classificou as declarações do presidente Milei como uma “afronta” ao presidente Lula, ao Poder Judiciário e à população brasileira. A convocação de um embaixador para consultas está entre os instrumentos mais duros de protesto diplomático antes de medidas como o rebaixamento das relações bilaterais.

Bitelli deve desembarcar em Brasília na segunda-feira (27) para uma reunião com Mauro Vieira. O chanceler também avalia chamar o embaixador argentino no país, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos sobre o comportamento do presidente Milei.

A crise ganhou dimensão adicional porque os ataques do chefe de Estado argentino foram feitos em território brasileiro e durante um ato eleitoral. O presidente Milei já havia participado de eventos ao lado de adversários do presidente Lula, mas nunca havia provocado uma reação formal dessa intensidade por parte do governo brasileiro.

No campo econômico, Brasil e Argentina mantêm uma relação estratégica, especialmente nos setores automotivo, energético, industrial e agropecuário. Em junho, as exportações argentinas ao mercado brasileiro cresceram 17,2% na comparação anual, reforçando a preocupação de Kicillof com os efeitos econômicos da escalada política.

Foto: La Nación

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