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Lá vem o carro da Ceasa: só traz abacaxi e pepino!!!

Não, não estamos falando das Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Norte não. Estamos falando de como os socorristas do Samu [Serviço de Atendimento Móvel de Urgência] estão sendo recebidos nos principais pronto-socorros da capital potiguar, o Hospital Walfredo Gurgel e o Hospital Santa Catarina, por médicos destas unidades hospitalar, relatados pelos próprios servidores do Samu.

E-mail enviado ao Blog dá conta de que os profissionais do Samu estão sendo recebidos com hostilidade pelos profissionais dessas unidades, explica o médico e coordenador geral do Samu Natal, André Pinto.

De acordo com o coordenador do serviço de urgência da capital, os hospitais sofrem com a falta de estrutura para receber os pacientes, que acabam superlotando os corredores.  Por isso, a culpa frequentemente acaba recaindo sobre profissionais do Samu, que são acusados injustamente de contribuir para o caos.

A situação que já ocorria há algum tempo, se agravou depois da greve dos médicos, que inclusive tentaram impedir de pessoas doarem sangue na semana passada no Hemonorte e de serem atendidas no Hospital Santa Catarina

De acordo com relatos muitas vezes a hostilidade ultrapassa os limites éticos da profissão, e acaba com agressões verbais entre funcionários e médicos, que se recusam a receber os pacientes.  As constantes brigas acontecem na frente dos pacientes e são diárias.

Os relatos incluem desrespeito aos socorristas e dúvidas sobre a qualidade dos serviços prestados pelo Samu.  Há casos em que as macas das ambulâncias ficam retidas por horas dentro dos hospitais, o que impede a saída dos socorristas.  “Essa é uma forma de segurar a ambulância no local, e evitar que ela volte a trazer novos pacientes”, explica Rodrigo Lemos, supervisor do Samu.

A coordenadora de enfermagem do Samu Natal, Wilma Dantas, que já foi vítima de agressões verbais na porta dos pronto-socorros, relata casos impressionantes em que pacientes graves, vítimas de AVC, foram deixados na ambulância enquanto os médicos dos hospitais, aos gritos, se recusavam a recebê-los.  “Muitas vezes temos que buscar vagas em outros locais, já que a discussão se estende e ficamos preocupados com a situação de quem está dentro da ambulância”, reclama Wilma.

Para convencer os pronto- socorros a receber os pacientes, os socorristas do Samu se comprometem a levar o doente para outras unidades de internação assim que novas vagas apareçam.

“Não estamos conseguindo realizar o nosso trabalho e o nível de stress dos nossos profissionais está altíssimo.  O que os funcionários dos hospitais não entendem é que não procuramos a demanda.  Ela chega até nós, e temos a obrigação de atendê-la. Não dá para deixar uma urgência na rua”, observa Wilma Dantas.

Segundo a coordenação do órgão, o CRM tem sido comunicado sobre a recusa dos atendimentos por parte dos hospitais. A ação é uma forma de resguardar o serviço de urgência de casos algo mais grave que possam acontecer, como um óbito, por exemplo.

“O CRM precisa estar ciente dos acontecimentos.  É uma pena que um serviço essencial como o do Samu esteja sendo deixado de lado”, lamenta André Pinto.

Com a palavra o CRM-RN!

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