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Lavanderia Frei Miguelinho

A votação ontem do projeto de lei que diminui os cargos em comissão na Câmara Municipal de Natal serviu para “lavar a roupa suja” de muitos vereadores na Casa. Com isso, ficou às escâncaras mais uma vez as vísceras do poder legislativo. Não bastassem os pronunciamentos eloqüentes de alguns edís, nos bastidores da votação os desentendimentos eram muitos com troca de insultos pra todo mundo ver.

Os mais exaltados trocavam acusações não só em plenário, mas também na parte destinada a imprensa. O vereador Fernando Lucena (PT), por exemplo, disse que não votava favorável ao projeto por não concordar que pessoas contratadas para cargos comissionados ficassem à disposição de outros órgãos. “Cargos comissionados contratados para trabalhar na Câmara são pra ficar aqui, e não à disposição da Prefeitura como querem alguns vereadores”, e ameaçou ir ao Ministério Público pedir uma investigação sobre esse projeto. O vereador Sargento Siqueira (PV), que estava por perto e votou favorável ao projeto disse que “os sacos pretos da urbana” também precisavam ser investigados, numa referência a pesagem de lixo a mais e que supostamente o Sindlimp [Sindicato da Limpeza Urbana] estaria envolvido. O sindicato é comandado por Lucena.

O vereador Renato Dantas (PMDB) afirmou em conversa com jornalistas que o projeto de lei que extingue os cargos comissionados na CMN para 277, não vai trazer nenhuma economia para a Câmara, afirmando que por trás desse projeto estão os interesses dos vereadores governistas em manter seus apadrinhados políticos com recursos públicos.

Nos bastidores vereadores governistas diziam que Renato Dantas e Fernando Lucena só estavam criticando o projeto por terem interesses contrariados. Segundo eles, tanto Dantas quanto Lucena, na verdade, queriam ser contemplados com mais cargos. Júlio Protásio (PV), chegou a dizer em plenário que Fernando Lucena agora iria poder regularizar os quatro cargos ilegais que tinha junto à Mesa Diretora da Casa.

O que não faltaram foram insinuações de parte a parte – oposição e situação – com relação as mutretas existentes no legislativo municipal. Aliás, o próprio presidente da Câmara, vereador Dickson Nasser (PSB), reconheceu isso ao afirmar para a imprensa que “agora não tem mais mutreta de presidente está indicando cargos”.

Como se observa, se a intenção do projeto de lei diminuindo o número de cargos comissionados na Câmara era tentar mudar a imagem já tão desgastada do poder legislativo municipal, o “tiro saiu pela culatra”, tamanha foi as denúncias dos próprios vereadores sobre o que ocorre nos bastidores da Casa. Sabe-se agora, oficialmente, que os cargos em comissão a mais, mesmo com a diminuição, vão servir para outros fins, que não os legais.

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