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O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou, nesta quinta-feira (23), que formalizará uma Notícia de Fato na Polícia Federal para pedir a abertura de um inquérito investigativo sobre novos repasses financeiros envolvendo o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e empresas associadas às investigações do Banco Master e do empresário Daniel Vorcaro.
A representação do parlamentar fundamenta-se na identificação de notas fiscais que somam R$ 1,5 milhão emitidas pelo escritório de advocacia do qual Flávio Bolsonaro é o único proprietário. Os registros contábeis têm como destinatórias as empresas Copenhagen Assessoria e Consultoria e Contábil Corrêa, ambas sob suspeita de atuarem como estruturas de fachada.
Estrutura das empresas e justificativas sob contestação
Documentos indicam que, em 7 de abril de 2025, o escritório do senador gerou duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Assessoria e Consultoria. As notas foram canceladas no mesmo dia. Nas redes sociais, o parlamentar alegou que desistiu de prestar serviços advocatícios para a companhia. Contudo, dois dias após o cancelamento, em 9 de abril de 2025, o escritório emitiu uma nova nota fiscal, no valor de R$ 500 mil, para a Contábil Corrêa, sob a justificativa de prestação de “assessoria jurídica”.
Lindbergh Farias cobrou a comprovação efetiva do trabalho alegado e destacou as inconsistências nas justificativas apresentadas pelo senador: “O interessante é que o Flávio Bolsonaro diz ‘olha, com a Copenhagen eu emiti nota mas cancelei; com a Contábil Corrêa eu prestei o serviço’. O que a gente quer é que Flávio Bolsonaro mostre os serviços prestados”.
O deputado enfatizou a ligação operacional entre as duas pessoas jurídicas envolvidas, apontando que ambas funcionam no mesmo endereço, no município de São Caetano do Sul (SP), e compartilham a liderança de Rogério Lourenço Novo.
“Tem uma figura chamada Rogério Lourenço Novo, o contador das duas empresas. Ele é que está à frente das duas empresas. E as duas empresas são de fachada, ficam no mesmo lugar: São Caetano do Sul. Sabe qual é o capital social da Copenhagen? R$ 40. Esse Rogério Lourenço já tinha sido investigado pela Polícia Federal por fraudes fiscais por meio de empresas de fachada entre 2013 e 2015, num valor de mais de R$ 100 milhões”, revelou Lindbergh.
“Vamos entrar na Polícia Federal com uma Notícia de Fato para que a Polícia Federal abra investigação sobre esse novo dinheiro que o Vorcaro deu para o Flávio Bolsonaro. O escritório do Flávio Bolsonaro emitiu notas no valor de R$ 1,5 milhão. Em cima de duas empresas, a Copenhagen e a Contábil Corrêa”, afirmou Lindbergh.
Vínculos com o Caso Master e desdobramentos
As apurações que fundamentam a representação do parlamentar mostram que a Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025, conforme dados da Receita Federal obtidos pela CPI do Crime Organizado.
A Copenhagen tinha como diretor Artur Figueiredo, gestor da administradora de fundos Trustee DTVM. Tanto a Trustee quanto Figueiredo são citados nas investigações do caso Master por suspeita de envolvimento em fraudes financeiras atribuídas à instituição bancária. Em relação a isso, a Trustee declarou que Figueiredo atuava apenas como representante de um fundo na Copenhagen, sem gerenciar os negócios da empresa. Registros da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp) apontam que Rogério Novo assumiu a diretoria da Copenhagen em setembro de 2025, sucedendo Artur Figueiredo, cinco meses após emitir a nota fiscal da Contábil Corrêa para o escritório de Flávio.
Lindbergh Farias traçou uma linha do tempo relacionando os fatos com outros episódios investigados que envolvem a família Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro:
“Olha, quanto mais o Flávio Bolsonaro fala, mais se enrola. No início ele dizia que não conhecia o Vorcaro, que nunca tinha falado com o Vorcaro. Aí veio aquele áudio: ‘irmãozão, estou e sempre estarei contigo’. Depois surge o dinheiro do filme, que foi parar no Texas, administrado pelo Eduardo Bolsonaro. R$ 61 milhões foram pagos. E agora isso aqui. Isso foi em abril. Aquele dinheiro que eles dizem que era para o filme – mas não era; era para a campanha do Flávio, para sustentar Eduardo Bolsonaro, para a campanha contra o Brasil – começa a cair na conta do Texas em março. Isso aqui é em abril. É um outro recurso, diretamente para o escritório de advocacia do Flávio Bolsonaro”, contextualizou o deputado.
O parlamentar concluiu afirmando a necessidade de rigor nas apurações para esclarecer a origem e o destino dos valores. “Nós queremos e o Brasil exige explicações. Enquanto isso, essa Notícia de Fato vai colocar a Polícia Federal atuando de forma firme para desbaratar mais esta falcatrua envolvendo Flávio Bolsonaro e Vorcaro”, finalizou.
Foto reproduzida da Internet