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Sob comando do Brasil pela primeira vez, o encontro de líderes do G20 [1] começa nesta segunda-feira (18) no Rio de Janeiro [2] com foco no combate à fome, na mudança climática e na reforma das instituições de governança global, como a Organização das Nações Unidas (ONU). Esses temas são prioritários na agenda internacional do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [3].
O evento vai até terça (19) no Museu de Arte Moderna do Rio e reúne líderes de 19 países, mais os representantes da União Europeia [4] e da União Africana.
Diplomatas que já estão no Rio passaram os últimos dias discutindo os termos da declaração conjunta que será divulgada ao final do encontro. Há pontos que geraram impasse [5], entre eles o conflito entre Rússia e Ucrânia, propostas de taxação de grandes fortunas e questões relacionadas à mudança climática.
O G20 é considerado o principal fórum de cooperação econômica internacional. Inicialmente, a pauta do grupo se concentrava em questões macroeconômicas gerais, mas, ao longo dos últimos anos, o foco foi ampliado para abordar temas como comércio, desenvolvimento sustentável, saúde, agricultura, energia, meio ambiente, mudanças climáticas e combate à corrupção.
O G20 não aprova leis nem impõe obrigações aos países, mas firma compromissos de políticas econômicas, sociais e de governança a serem adotadas. Saiba mais sobre o bloco [6].
A presidência do bloco muda a cada ano. Foi da Índia em 2023, está com o Brasil agora e será da África do Sul em 2025.
Devem participar da cúpula no Rio de Janeiro, entre outros líderes internacionais: Joe Biden [7] (EUA), Xi Jinping [8] (China), Emmanuel Macron [9] (França), Keir Starmer [10] (Reino Unido), Giorgia Meloni [11] (Itália) e Javier Milei [12] (Argentina). Veja a lista completa [13]. O único presidente que não veio é Vladimir Putin, da Rússia.
Aliança contra a fome
Uma das principais apostas da presidência brasileira do G20 é a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, uma cooperação entre países para a adoção de políticas públicas de transferência de renda e de incentivo à agricultura familiar.
Até sexta-feira (15), ao menos 37 países já haviam aderido à iniciativa, entre eles a Alemanha, maior economia da Europa. Os objetivos principais da aliança são:
- alcançar 500 milhões de pessoas com programas de transferências de renda;
- expandir as merendas escolares para mais 150 milhões de crianças;
- levar serviços de saúde a 200 milhões de mulheres e crianças.
Saiba mais sobre a iniciativa [14].
Governança global
A diplomacia brasileira defende mudanças de estrutura em organizações internacionais, como o Conselho de Segurança da ONU, para que mais nações tenham voz e influência.
No domingo (17), o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a modernização das estruturas de governança global [15] e disse que a entidade “reflete o mundo dos anos 80”.
“As ameaças que enfrentamos hoje são interconectadas e internacionais. Mas as instituições globais de resolução de problemas precisam desesperadamente de uma atualização, não menos importante o Conselho de Segurança, que reflete o mundo de 80 anos atrás”, disse.
“Países vulneráveis enfrentam enormes desafios e obstáculos que não são de sua responsabilidade. Eles não estão recebendo o nível de apoio que precisam de uma arquitetura financeira internacional que está desatualizada, ineficaz e injusta.”
Agenda brasileira
O comando brasileiro do grupo começou em 1º de dezembro do ano passado. Ao iniciar a presidência rotativa, o governo do presidente Lula estabeleceu três eixos centrais de discussão para o G20:
– inclusão social e combate à fome e à pobreza;
– transição energética e desenvolvimento sustentável;
– reforma da governança global.
Paralelamente às discussões sobre esses temas, o Brasil também lançou algumas iniciativas, entre as quais:
– G20 Social (com representantes da sociedade civil);
– Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.
Programa de atividades
A agenda do G20 programada para os próximos dois dias prevê uma série de compromissos para os líderes do bloco.
Entre esses compromissos previstos para segunda e terça, então:
– cerimônia de abertura da cúpula de líderes do G20;
– painel sobre aliança global contra a fome e a pobreza;
– sessão sobre reforma da governança global;
– sessão sobre desenvolvimento sustentável;
– encerramento da cúpula de líderes do G20.
Há uma expectativa de que, entre esses compromissos, o presidente Lula se reúna com alguns líderes internacionais, entre os quais o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que deixará o mandato em janeiro de 2025, quando passará o comando da Casa Branca para o presidente eleito Donald Trump.
Além disso, é possível que Lula conceda na terça-feira (19) uma entrevista coletiva, praxe em eventos internacionais desse porte dos quais o presidente participa.
Na quarta (20), já em Brasília, Lula receberá o presidente da China, Xi Jinping , em uma visita de estado. A China é o principal parceiro comercial do Brasil.
Encontro do U20
No domingo (17), também no Rio de Janeiro, o presidente Lula discursou no encontro do Urban 20 (U20), fórum que reúne prefeitos de cidades dos países que integram o G20.
Em seu pronunciamento, o presidente disse que as cidades têm papel a cumprir contra os extremos climáticos e cobrou financiamento dos países mais ricos para ações ligadas ao meio ambiente e de planejamento urbano em nações menos desenvolvidas.
O presidente disse também que o “planejamento urbano terá papel crucial na transição ecológica e no enfrentamento às mudanças climáticas”. Ele destacou que as cidades são responsáveis por 70% das emissões de gases de efeito estufa e 75% do consumo de energia.
“Esses mesmos centros urbanos estão desproporcionalmente expostos às consequências das mudanças climáticas, à subida do nível dos oceanos, às ondas de calor, à insegurança hídrica, às enchentes avassaladoras como as que vimos recentemente no sul do Brasil, na Colômbia e na Espanha”, disse.
“As cidades não podem custear sozinhas a transformação urbana. Elas não podem ser negligenciadas nos novos mecanismos de financiamento da transição climática. Infelizmente, os governos esbarram em uma enorme lacuna de financiamento no Sul Global”, acrescentou.
Foto: Ricardo Stuckert/PR