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Lula: `Brasil não vacilará na defesa da soberania nacional diante de tarifaço dos EUA´

Está no Brasil 247

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (16) que o governo não recuará na proteção dos interesses nacionais após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida comercial entra em vigor na quarta-feira (22), enquanto o Brasil avalia uma resposta com base na Lei de Reciprocidade.

Em uma publicação nas redes sociais, Lula tratou a reação ao tarifaço como uma responsabilidade que ultrapassa as divisões políticas. A mensagem foi acompanhada por uma fotografia na qual o presidente aparece com a mão sobre a bandeira brasileira.

“Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências. O governo brasileiro não vacilará em seu dever de preservá-la”, afirmou Lula.

Sobretaxa alcança máquinas, roupas e alimentos

A nova tarifa foi anunciada pelo governo do presidente Donald Trump na quarta-feira (15), após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). O procedimento foi aberto com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana de 1974.

Segundo o USTR, a apuração identificou práticas brasileiras consideradas “desleais, discriminatórias e irrazoáveis” nas relações comerciais entre os dois países. O órgão sustenta que essas políticas prejudicariam empresas e exportadores dos Estados Unidos.

A sobretaxa atingirá diferentes segmentos da economia brasileira. Entre os produtos industriais afetados estão máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, ferramentas de jardinagem e componentes de borracha utilizados em veículos.

A lista também inclui bens de consumo, como calçados, roupas e papel, além de mercadorias como etanol, açúcar orgânico e molduras de madeira. A celulose de dissolução de alta pureza, anteriormente cogitada para receber isenção, foi incorporada ao grupo sujeito à cobrança.

Determinadas substâncias químicas, entre elas celulose e fosfoaminolipídeos, ficarão livres da tarifa apenas quando destinadas à indústria farmacêutica. A aplicação desses mesmos insumos em outros setores será taxada.

Café, carne bovina e terras-raras ficam isentos

Embora estabeleça uma cobrança adicional ampla, o documento norte-americano apresenta uma relação de exceções. Café, mel orgânico, açaí, carne bovina, laranja e terras-raras estão entre os produtos brasileiros que não serão alcançados pela nova tarifa.

As isenções reduzem a exposição de cadeias relevantes para as exportações nacionais, mas não eliminam o impacto sobre setores industriais e produtores incluídos na medida. O alcance efetivo dependerá do volume comercial de cada item atingido e da capacidade das empresas de absorver ou repassar o custo adicional.

Governo prepara aplicação da Lei de Reciprocidade

Após o anúncio feito por Washington, o governo brasileiro informou que pretende recorrer aos mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica. A legislação permite a adoção de contramedidas diante de barreiras comerciais unilaterais impostas contra produtos do país.

Em nota, o governo Lula repudiou a decisão e classificou o episódio como um marco negativo no relacionamento bilateral.

“O dia 15 de julho de 2026 passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável. O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros”, declarou o comunicado.

A aplicação da lei não significa que uma retaliação ocorrerá automaticamente. O instrumento oferece respaldo para que o Executivo avalie medidas proporcionais, incluindo restrições comerciais ou sobretaxas equivalentes, conforme os procedimentos previstos na legislação.

Estados Unidos ameaçam ampliar medidas

O governo Trump advertiu que poderá elevar a pressão comercial caso o Brasil responda à tarifa com medidas contra produtos norte-americanos. No documento que formaliza a cobrança, os Estados Unidos afirmam que uma reação brasileira poderia levá-los a considerar insuficiente o patamar de 25%.

“Ações do Brasil que aumentem o ônus ou a restrição ao comércio dos EUA — como aumentos de tarifas sobre produtos dos Estados Unidos, em vez de abordar as preocupações dos EUA com as práticas desleais constatadas na investigação — podem indicar que a ação dos EUA neste nível não é suficiente para obter a eliminação dos atos, políticas e práticas do Brasil”, afirma o texto norte-americano.

O posicionamento de Lula insere a disputa comercial no campo da soberania nacional, enquanto os dois governos entram em uma etapa de pressão diplomática e avaliação de contramedidas. A tarifa começará a ser aplicada em 22 de julho aos produtos que ficaram fora da lista de isenções.

Foto: Ricardo Stuckert

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