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A pesquisa Quaest divulgada na quarta-feira (10) revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou sua vantagem na corrida presidencial de 2026, enquanto a direita continua sem conseguir consolidar uma alternativa competitiva ao bolsonarismo. Os números mostram que, apesar do desgaste enfrentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nenhum outro nome do campo conservador conseguiu transformar esse enfraquecimento em crescimento eleitoral consistente. As informações são do G1 [1].
De acordo com o levantamento, Lula lidera a disputa de primeiro turno com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro aparece em segundo lugar, com 29%, abrindo uma diferença de dez pontos percentuais.
Lula amplia vantagem na corrida presidencial
A pesquisa indica que o cenário eleitoral permanece marcado pela polarização entre lulismo e bolsonarismo. Mesmo com a perda de fôlego de Flávio Bolsonaro, os demais nomes da direita e da centro-direita seguem distantes dos dois principais concorrentes.
Somados, os candidatos que tentam ocupar o espaço de uma terceira via dentro do campo conservador alcançam apenas 12% das intenções de voto. O resultado evidencia a dificuldade de construção de uma candidatura capaz de romper a atual polarização.
Entre os nomes avaliados, Renan Santos (Missão) aparece com 3% das intenções de voto, empatado numericamente com o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) e o deputado federal Aécio Neves (PSDB), testado pela primeira vez pela Quaest, registram 2% cada. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, todos estão tecnicamente empatados.
Escândalos e economia influenciam cenário
A pesquisa de junho foi realizada após a divulgação de mensagens nas quais Flávio Bolsonaro solicita recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro (PL).
Segundo Felipe Nunes, diretor da Quaest, três fatores ajudam a explicar a ampliação da vantagem de Lula. Entre eles estão a repercussão negativa da atuação de Flávio no episódio envolvendo o Banco Master, os efeitos políticos decorrentes de medidas anunciadas pelos Estados Unidos após encontro do senador com Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e a melhora da avaliação do governo federal.
De acordo com o diretor da Quaest, medidas econômicas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda e o programa Desenrola contribuíram para fortalecer a percepção positiva do governo entre os eleitores.
Flávio Bolsonaro lidera oposição, mas enfrenta limites
Apesar das dificuldades recentes, Flávio Bolsonaro continua sendo o principal nome da oposição nacional, segundo a pesquisa. “Flávio está tendo, sim, dificuldade de fazer isso. A pesquisa mostra que ele continua sendo o principal nome da direita, mas não conseguiu transformar isso em hegemonia dentro do campo oposicionista”, afirmou Felipe Nunes.
O diretor da Quaest avalia que o sobrenome Bolsonaro garante ao senador uma base eleitoral sólida, mas também impõe limites à sua capacidade de expansão. “O primeiro desses motivos é que ele carrega o sobrenome Bolsonaro, o que dá para ele um piso, mas também impõe para ele um teto. O segundo é que os demais nomes da direita ainda não têm força nacional suficiente nem conhecimento para substituí-lo”, disse.
Para Nunes, a direita enfrenta atualmente uma contradição estratégica. “O que a pesquisa evidencia é que a direita hoje vive um paradoxo. Flávio está enfraquecido para unificar, mas os outros são fracos demais para ocupar esse espaço”, resumiu.
Independentes migram para Lula
Os dados por segmento do eleitorado reforçam esse diagnóstico. Entre os bolsonaristas, Flávio concentra 94% das intenções de voto, herdando praticamente sozinho o capital político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Já entre os eleitores de direita que não se identificam com o bolsonarismo, a distribuição é mais fragmentada. Flávio lidera com 59%, enquanto Renan Santos registra 11%, superando numericamente Lula, com 10%, e Caiado, com 6%. “O bolsonarismo continua firme com Flávio, mas a direita não bolsonarista aparece bem menos adepta a ele no primeiro turno”, observou Felipe Nunes.
Entre os eleitores independentes, considerados decisivos em uma eventual eleição presidencial, Lula aparece com 28% das intenções de voto, contra 14% de Flávio Bolsonaro. Caiado registra 6%, enquanto Aécio Neves alcança 4%.
Em uma simulação de segundo turno, Lula vence Flávio entre os independentes por 37% a 24%. Além disso, 30% dos entrevistados afirmam que não votariam em nenhum dos dois candidatos. Segundo Felipe Nunes, a principal mudança observada pela pesquisa ocorreu justamente nesse grupo. “A mudança mais expressiva aconteceu nos independentes, que trocaram Flávio por Lula”, concluiu.
Imagens reproduzidas da Internet