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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou em entrevista ao canal Meteoro Brasil nesta quarta-feira (5) que o Brasil está plenamente preparado para responder e combater qualquer tentativa de interferência estrangeira nas eleições do país. Ao comentar as recentes tensões diplomáticas com o governo norte-americano, o mandatário classificou como “irresponsável” e “impensada” a atitude de Washington de cassar o visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, além de sinalizar que a apresentação de credenciais do novo embaixador indicado por Donald Trump só deverá ocorrer após o pleito eleitoral.
Durante a entrevista, Lula abordou a soberania nacional e relembrou o histórico de diálogos que manteve com o presidente norte-americano. “O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral. Nas vezes que conversei com o presidente Trump, disse que somos dois homens de 80 anos, presidentes das duas democracias mais importantes da região e que, portanto, temos que passar sobriedade. O mundo está precisando de sobriedade e serenidade”, destacou o presidente, pontuando que todos os contatos pessoais mantidos com o líder estadunidense foram respeitosos.
Restrições de vistos e negação de entrada a agentes estrangeiros
Ao detalhar os episódios que culminaram no atual desgaste entre as duas nações, Lula relembrou uma solicitação direta feita ao governo norte-americano para a revogação de sanções impostas a representantes dos poderes constituídos no Brasil. “Eu entreguei para o Trump, na última reunião, um pedido para que ele liberasse as 11 autoridades brasileiras que estão proibidas de entrar nos Estados Unidos. São ministros da Suprema Corte, da Advocacia-Geral da União, o ministro da Saúde. Bem, ele não fez”, relatou.
O presidente também revelou a tentativa de envio de agentes norte-americanos com o objetivo de fiscalizar o sistema de votação nacional, ação que foi prontamente barrada pela diplomacia brasileira. “Depois soube da notícia de que vinham dois jovens para cá para se intrometer, fiscalizar e investigar as urnas brasileiras. O Itamaraty, corretamente, negou o visto para eles”, afirmou.
Protocolos diplomáticos
Sobre a indicação do novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília, Lula esclareceu a dinâmica das recepções diplomáticas e pontuou o desinteresse prolongado demonstrado pela Casa Branca em preencher o posto vago na capital federal.
“Aí vem a questão da embaixada. A última vez que recebi embaixador foi no mês passado. Eu recebi, de uma vez só, dez embaixadores e disse ao ministro Mauro [Vieira, das Relações Exteriores]: agora é eleição, eu não recebo mais embaixador. O que aconteceu? Os Estados Unidos não deram importância para a embaixada no Brasil. Faz um ano e meio que ele [Trump] está no poder e não mandou para cá. Aí tenta mandar e acha que a gente tem obrigação de fazer a data que eles querem? Não é correto e não é possível”, criticou.
Lula enfatizou que a exigência por tratamento equânime pauta a conduta externa do governo brasileiro e repudiou a retaliação adotada contra a representação diplomática do Brasil em solo norte-americano. “Nós queremos ser tratados com respeito. Eles tomaram a atitude de cassar o visto da nossa embaixadora. Acho uma atitude irresponsável, impensada, para um país que tem 203 anos de relação diplomática”, enfatizou.
Defesa da democracia e do sistema eleitoral brasileiro
Na avaliação do chefe do Executivo, narrativas inverídicas e tentativas de ingerência externa não terão força para desestabilizar as instituições ou o processo democrático do país. “Eu não aceito mentiras sobre o Brasil. Esse país é muito grande, tem muita história, tem muita responsabilidade, e não dá para ninguém imaginar que vai derrotar o Brasil com mentira. Não dá para ninguém pensar que vai se intrometer aqui para disputar as eleições. Se quiserem fazer em outro país, que façam. Aqui no Brasil não vão fazer”, asseverou.
Ao comentar a possibilidade de participação de autoridades estrangeiras na campanha da oposição, o presidente adotou um tom firme de enfrentamento político e de reafirmação do poder popular. “Agora, se o secretário de Estado quiser vir aqui fazer comício para o meu adversário, eu acho até bom. Eu quero derrotar todos eles juntos. Eu não sou de ficar fazendo bravata. Mas é o seguinte: quem manda no nosso país é o povo brasileiro. Quem governa esse país sou eu. Quem disputa as eleições aqui são os brasileiros, e qualquer um pode”, declarou.
Por fim, Lula desafiou as críticas externas à lisura das urnas eletrônicas e ressaltou a eficiência do modelo adotado no Brasil. “Não se metam, porque eu duvido que no país deles tenha um sistema eleitoral mais honesto que o nosso”, concluiu.
Foto: Ricardo Stuckert