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Lula critica `morosidade´ do caso Master e diz que `em toda eleição´ aparecem denúncias contra seu filho

Está no Brasil 247

O presidente Lula (PT) abordou com franqueza as principais polêmicas e investigações recentes em curso no país, cobrando celeridade do Poder Judiciário no processo envolvendo o Banco Master e denunciando o uso político de acusações contra seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, em períodos eleitorais.

Ao analisar, em entrevista nesta sexta-feira (14) a Déia Freitas, do canal Não Inviabilize, e ao podcast As Cunhãs, o papel do Palácio do Planalto diante das apurações judiciais e do clima de tensão entre os Poderes, o mandatário ressaltou a necessidade de agir com cautela para não desgastar o papel institucional da República. “É muito difícil para um presidente dar um parecer sobre como ele está vendo uma investigação. É muito delicado. Porque quando eu disser alguma coisa, eu estarei fazendo juízo de valores. E isso pode não ser bom. Eu sei a guerra que existe hoje entre o Congresso e a Suprema Corte, eu sei da ameaça de impeachment de ministro, sei das denúncias que envolvem ministros. Tudo isso está na imprensa. E eu não quero compartilhar com o aguçamento da deterioração da imagem das instituições. Por isso eu não vou dar meu parecer”, explicou Lula.

Atuação no Banco Master e cobrança por agilidade na Justiça

Ao tratar do escândalo financeiro do Banco Master, o presidente revelou os bastidores das orientações dadas aos órgãos de fiscalização desde os primeiros indícios de irregularidades. Lula ressaltou que determinou a condução estritamente técnica do caso, sem privilégios ou perseguições políticas.

“Quando eu fui procurado pela primeira vez pelo Banco Central para apurar a questão do Banco Master, eu disse ao presidente do Banco Central o seguinte: eu não quero que você persiga ninguém. Quero que você faça o que a lei exige que você faça. Quem tiver errado que pague o preço. E assim foi feito pelo Banco Central”, relatou.

O chefe do Executivo ressaltou o cumprimento das medidas administrativas, mas criticou a lentidão do Judiciário ao dar andamento às responsabilizações. “Quando passa do Banco Central, tem a parte da Justiça. O Banco Master foi fechado, o Vorcaro está preso, mas a Justiça tem um processo imenso que envolve muita gente. O que nós esperamos é que a Justiça saia da sua morosidade e entregue logo. Esse é o caso do Banco Master”, cobrou o presidente.

Combate a fraudes no INSS e postura do governo

Lula também resgatou a atuação direta de seu governo na desarticulação de esquemas de corrupção na Previdência Social, ressaltando que a própria gestão federal tomou a iniciativa de identificar, denunciar e punir os envolvidos.

“Sabe quem descobriu a quadrilha no INSS? O governo. Sabe quem denunciou? O governo. E o governo, que não pode fazer Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), e eu defendia que era o PT quem deveria ter chamado uma CPI, porque eu sabia que a oposição ia tirar proveito disso, mas o pessoal ‘não, porque não pode chamar, nós somos governo’… Eu devia ter chamado uma CPI”, ponderou.

O mandatário destacou os resultados práticos das ações de fiscalização para reparar os aposentados lesados. “Nós sabemos quem foi, denunciamos quem foi, já prendemos gente, já sequestramos bens das pessoas que roubaram, já devolvemos mais de R$ 4 bilhões para os aposentados que foram vítimas, já punimos as entidades. Então estamos muito tranquilos”, afirmou.

Denúncias contra o filho e uso político nas eleições

Ao tratar das acusações que atingem seu filho Fábio Luís, Lula relembrou o impacto doloroso dos processos judiciais sobre sua família durante a Operação Lava Jato, vinculando a morte de sua esposa, Marisa Letícia, às pressões e desgastes daquele período.

“O meu filho sabe o que eu passei na vida. Ele viveu. Ele viu a mãe dele morrer por conta da Lava Jato. Não é fácil uma mãe aguentar o que a Marisa aguentou. E meu filho sabe que ele não pode fazer nada errado. Ele jura por tudo que é sagrado que ele não tem nada. E eu acredito nele”, disse.

O presidente frisou que não haverá qualquer tentativa de interferência para blindar o familiar, exigindo contudo que as apurações sigam o devido processo legal e que o filho enfrente os questionamentos de cabeça erguida. “Eu já disse aos advogados: ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho. Quer fazer inquérito, faça. Eu quero que ele seja investigado. Não tem problema nenhum. Eu só quero que ele faça como eu fiz: fiquei 580 dias na cadeia e saí com a cabeça mais erguida do que quando eu entrei”, defendeu.

Lula concluiu destacando o padrão repetitivo do surgimento dessas denúncias em anos de disputa política, apontando o objetivo eleitoral por trás das acusações. “Só ele sabe a verdade. Ele sabe se fez ou não fez. Ele jura que não fez. Se não fez, então brigue, não se acovarde. Se meu filho tiver culpa, ele pagará. Agora, ele já foi acusado de muitas coisas. Em toda eleição aparece meu filho”, finalizou.

Foto: Ricardo Stuckert

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