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Lula e Biden fazem defesa da democracia em encontro na Casa Branca

Está no g1

O presidente Lula [1] se reuniu, na sexta-feira (10), pela primeira vez com o presidente americano, Joe Biden [2], na Casa Branca. Os dois acertaram um compromisso em defesa da democracia, e Lula propôs uma ação global pelo meio ambiente.

Lula começou o dia com um aliado nos Estados Unidos [3]: o senador Bernie Sanders [4], da ala progressista do Partido Democrata. Após a reunião, a portas fechadas, Lula escreveu em uma rede social que eles falaram sobre democracia, movimento sindical e melhores direitos e empregos para trabalhadores.

Na saída, o senador Sanders disse: “O presidente e eu conversamos sobre a necessidade de reforçar as fundações da democracia não só no Brasil, não só nos Estados Unidos, mas ao redor do mundo, porque há uma ameaça massiva vinda de extremistas da direita, que são autoritários.”

Na sequência, um grupo de deputados federais do Partido Democrata também chegou à Blair House, a residência oficial dos hóspedes da Casa Branca, para outro encontro com Lula. A terceira reunião do dia foi com representantes da maior federação de sindicatos dos Estados Unidos.

O presidente brasileiro chegou a Washington na quinta-feira (9) no fim da tarde, acompanhado da primeira-dama, Janja [5], e de quatro ministros. Entre eles, Marina Silva [6], do Meio Ambiente, que nesta sexta participou de um encontro com entidades filantrópicas americanas.

“Há uma verdadeira força-tarefa de instituições filantrópicas que querem ajudar o Brasil, sobretudo nas ações emergenciais de combate ao desmatamento da Amazônia e enfrentamento da situação dramática dos povos indígenas. Altamente positiva essa reunião e com sinalizações muito concretas de uma força-tarefa para captação de recursos para o Fundo Amazônia”, disse Marina.

O Fundo Amazônia é uma das principais fontes de financiamento de ações de proteção ao meio ambiente na região. É abastecido por doações da Alemanha e da Noruega.

Fundo Amazônia: entenda o que é a iniciativa bilionária de preservação ambiental [7]

A preservação da Amazônia e o combate às mudanças climáticas são prioridades de Lula e Biden. O presidente americano defende que os Estados Unidos e países ricos têm obrigação de ajudar na preservação da floresta. A defesa da democracia também está no topo da agenda deles. Na pauta também estão o desenvolvimento econômico e a guerra na Ucrânia.

Antes do encontro, uma alta autoridade do governo americano contou que o objetivo era que os dois presidentes se conhecessem pessoalmente e alinhassem as prioridades para os próximos anos. Eles já tinham se falado duas vezes por telefone.

Antes da reunião a portas fechadas, Lula e Biden fizeram breves declarações à imprensa. Biden disse que as duas democracias, que são fortes, foram testadas recentemente e prevaleceram.

Ele reafirmou o apoio incondicional dos Estados Unidos à democracia brasileira e o respeito pela livre vontade do povo brasileiro. Destacou que tanto ele quanto Lula rejeitam a violência política e os ataques às instituições e disse que os valores democráticos constituem o núcleo da força do Brasil e dos Estados Unidos no mundo e que os direitos humanos e o Estado de Direito são valores que os dois países prezam.

Em seguida foi a vez de Lula falar. O presidente disse que quer recolocar o Brasil na política mundial. Segundo Lula, o país passou quatro anos isolado da comunidade internacional, se referindo ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

“O senhor sabe que o Brasil ficou quatro anos se automarginalizando, com um presidente que não gostava de manter relações com nenhum país. O mundo dele terminava e começava com as fake news. De manhã, de tarde e à noite. Ele me parece que menosprezava as relações internacionais”, afirmou.

Biden interrompeu, rindo, e disse: “Isso me soa familiar”, numa referência ao ex-presidente americano Donald Trump. Lula afirmou que o brasileiro gosta de paz, democracia, trabalho, samba e alegria, e que é esse o país que ele tenta recolocar no mundo. E enfatizou que ataques à democracia não podem se repetir.

“Nunca mais permitir que haja um novo capítulo do Capitólio e que nunca mais haja o que aconteceu no Brasil, invasão do Congresso Nacional, do palácio do presidente e da Suprema Corte”, ressaltou Lula.

O presidente também defendeu trabalho conjunto contra a desigualdade e o racismo. Sobre a preservação da Amazônia, Lula disse que a política ambiental de Bolsonaro promoveu desmatamento e incentivou o garimpo ilegal. O presidente se comprometeu com a preservação e defendeu a criação de um novo mecanismo global para lidar com as mudanças climáticas.

“É preciso que a gente estabeleça uma nova conversa para construir uma governança mundial mais forte. Porque a questão climática, se não tiver uma governança mundial forte, que tome decisões que todos os países sejam obrigados cumprir, não vai dar certo. Alguma coisa a gente tem que fazer para que a gente obrigue os países, o nosso Congresso, os nossos empresários a acatar decisões que nós tomamos a níveis globais. Se isso não acontecer, a nossa discussão sobre a questão climática ficará muito prejudicada, e eu acho que nós não temos muito tempo. Urgentemente, nós precisamos tomar atitudes. No Brasil, nós vamos fazer o que é possível fazer”, disse Lula.

O presidente terminou o discurso fazendo um compromisso em defesa do meio ambiente e da democracia.

“Esteja certo que os Estados Unidos e o resto do mundo podem contar com o Brasil na luta pela democracia e na luta pela preservação ambiental. Isso não é um programa de governo, é um compromisso de fé de alguém que acredita no humanismo, de alguém que acredita na fraternidade, na solidariedade. Eu não quero viver num mundo em que os humanos se transformarão em algoritmos. Eu quero viver num mundo que os humanos sejam humanos, e para isso temos que cuidar com muito carinho daquilo que Deus nos deu, que é o planeta Terra”, afirmou Lula.

Logo após o encontro, o presidente Lula deu entrevista à imprensa.

Lula se reuniu com Biden na Casa Branca por 50 minutos. Na conversa, Lula reforçou três pontos principais: a defesa democracia, a questão ambiental e o combate às desigualdades raciais e sociais.

Lula também ressaltou a Biden que está disposto a formar um grupo de países sem envolvimento na guerra entre Rússia e Ucrânia para negociar uma saída rumo à paz. Destacou a necessidade de países ricos ajudarem os países com florestas e disse que o presidente americano vai participar com outros países desenvolvidos do fundo para cuidar da Amazônia.

Sobre a Amazônia, Lula afirmou que o Brasil é soberano e disse que quer compartilhar com cientistas do mundo todo um estudo sobre a necessidade de proteção da Amazônia e ao mesmo tempo uma forma de extrair a riqueza para dar melhorias à população que vive lá.

“Eu estou convencido de que nós estamos numa outra época. O Brasil volta ao cenário mundial. Está utilizando a sua potência política, a respeitabilidade que o Brasil conquistou, para que a gente possa junto com outros países cumprir a tarefa que nós temos que cumprir com a humanidade. Uma coisa muito importante que eu acho que precisa acontecer é que a gente tem que ter uma governança global com mais autoridade, que outros países possam participar do Conselho de Segurança para que algumas decisões de ordem climática sejam tomadas em nível internacional. Eu discuti a necessidade de os países ricos assumirem a responsabilidade de financiar todos os países que têm florestas, e só na América do Sul, além do Brasil, nós temos o Equador, temos a Colômbia, temos o Peru, temos a Venezuela, temos as Guianas. Ou seja, nós temos vários países que nós temos que cuidar. Então, eu tratei especificamente do fundo amazônico, da necessidade de preservar. Agora, o que eu posso dizer é que ele vai participar do fundo amazônico. O Brasil não quer transformar a Amazônia num santuário da humanidade, mas também não quer abrir mão de que a Amazônia é um território do qual o Brasil é soberano. O que nós queremos, na verdade, é compartilhar com a ciência do mundo inteiro um estudo profundo sobre a necessidade da manutenção da Amazônia, mas extrair dessa riqueza da biodiversidade da Amazônia algo que possa significar a melhoria da qualidade de vida das pessoas que moram lá, que são mais de 25 milhões de pessoas”, disse Lula.

Foto: g1


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