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Em uma nova escalada no conflito com a Guiana, o presidente da Venezuela [1], Nicolás Maduro [2], assinou nesta sexta-feira (8) uma série de decretos para incorporar Essequibo e transformar o território guianense em um estado venezuelano.
A iniciativa ocorre no dia seguinte ao anúncio de que os Estados Unidos realizariam exercícios militares na Guiana [3], inclusive em Essequibo, o que a Venezuela interpretou como uma “provocação”. [4]
Pela primeira vez, Maduro deu um horizonte para os planos serem levados adiante: 2030, “para cumprir o mandato do povo que votou pelo sim”. Foi uma referência ao plebiscito realizado no último domingo, com participação de metade dos eleitores da Venezuela, em que a anexação de Essequibo foi aprovada.
Essequibo, uma região maior que a Inglaterra e o estado do Ceará, está atualmente sob controle da Guiana, mas a Venezuela reivindica o território como seu.
Os decretos —que haviam sido anunciados na terça (5) [5]— determinam:
- A criação do estado de Guiana Essequiba (como é chamado Essequibo na Venezuela);
- A criação de uma comissão “para debater a estratégia de que até 2030, ou mais, uma estratégia de curto a médio prazo, para cumprir o mandato do povo que votou sim em 3 de dezembro”;
- A criação de um Alto Comissariado para a Defesa da Guiana Essequiba, órgão integrado pelo Conselho de Defesa, pelo Conselho do Governo Federal, pelo Conselho de Segurança Nacional e pelos setores político, religioso e acadêmico;
- A oficialização do novo mapa oficial englobando a região de Essequibo;
- A criação de um setor da empresa estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) para Essequibo e a concessão de licenças para a prospecção de gás, petróleo e mineração;
- A designação da advogada Rodriguez Cabello como autoridade da Guiana Esequiba, e também de forma provisória durante a discussão legislativa, a sede administrativa dessa autoridade ficará na cidade de Tumeremo, no território da Venezuela;
- A criação de uma Zona de Defesa Integral da Guiana Essequiba, com três áreas de defesa integral e 28 setores de desenvolvimento;
- Um plano de assistência social à população da Guiana Essequiba, a realização de censo e entrega de carteira de identidade aos habitantes.
- A publicação e divulgação do novo Mapa da Venezuela em escolas, escolas secundárias e universidades do país.
A assinatura dos decretos foi feita durante discurso a milhares de pessoas na capital venezuelana. Nele, Maduro falou com o novo mapa oficial do país, que engloba Essequibo.
O líder venezuelano deve ir a Moscou, em uma viagem já programada, nos próximos dias [6], segundo o Kremlin.
A Guiana ainda não se manifestou.
Também nesta sexta, o ministro da Defesa do governo brasileiro, José Múcio, afirmou que monitora a crise entre Venezuela e Guiana para evitar que o país seja usado como “instrumento” de um “incidente diplomático” entre vizinhos. [7]
Foto reproduzida da Internet