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Maia diz que Guedes proibiu secretários da Economia de conversarem com ele

Está no G1

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia [1] (DEM-RJ), afirmou nesta quinta-feira (3) que passará a negociar com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos [2], porque o ministro da Economia, Paulo Guedes [3], proibiu o diálogo dele, Maia, com os secretários da área econômica.

Procurado, o Ministério da Economia  [4]informou que não vai comentar o assunto.

Maia deu as declarações em entrevista à GloboNews [5], logo após ter recebido a proposta de reforma administrativa [6] do governo. A entrega foi feita pelo ministro Jorge Oliveira (Secretaria-Geral) e pelos líderes do governo no Congresso, senador Eduardo Gomes (MDB-TO), e na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR).

“O senhor tem conversado com a equipe econômica? Por que a ausência do ministro da Economia?”, indagou o jornalista a Maia.

“Eu não tenho conversado com o ministro Paulo Guedes. Ele tem proibido a equipe econômica de conversar comigo. Ontem, a gente tinha um almoço com o Esteves [Colnago, assessor especial] e com o secretário do Tesouro [Bruno Funchal] para tratar do Plano Mansueto, e os secretários foram proibidos de ir à reunião”, respondeu Maia.

“Então, decidi que a relação da presidência da Câmara será com o ministro Ramos, e o ministro Ramos conversa com a equipe econômica, para não criar constrangimento mais para ninguém. Mas isso não vai atrapalhar os nossos trabalhos, de forma nenhuma”, acrescentou.

Questionado, então, se está encerrada a interlocução com Guedes, Maia respondeu: “Foi encerrada a interlocução.”

Em seguida, o presidente da Câmara disse que convida assessores, secretários e consultores do governo para conversas desde a gestão de Michel Temer e que o resultado “é muito positivo”.

“Geralmente, os ministros têm pouca agenda. E os secretários, os assessores, os consultores são de grande qualidade no governo federal e nos ajudam, nos ensinam, constroem conosco textos de grande qualidade. A Previdência, por exemplo, o teto de gastos, tantas coisas que nós fizemos. Agora, eu não vou deixar de falar as coisas como elas são. Eu decidi e comuniquei ao governo que, dessa forma, eu prefiro conversar com o ministro Ramos”, completou.

À GloboNews, Maia disse que o diálogo com o Poder Executivo por meio da Secretaria de Governo é “muito melhor” porque a relação dele com o ministro Ramos “é de grande confiança”.

Guedes ‘não é político’

Ainda na entrevista à GloboNews, o presidente da Câmara disse que a interrupção do diálogo dele com o ministro da Economia não vai prejudicar a relação do governo com o Legislativo nem o andamento das reformas porque a articulação política continua na Câmara.

Conforme Rodrigo Maia, Guedes “não é político” e tem “pouca experiência” na articulação política.

“Como ele [Guedes] não é político, ele tem pouca experiência na articulação política. O deputado Ricardo Barros [líder do governo na Câmara] tem muita experiência, o senador Eduardo Gomes [líder do governo no Congresso] tem muita experiência. O ministro Ramos está aprendendo rápido. Mas já aprendeu, já avançou bem. Então, eu não acho que a participação do ministro [Guedes], pelo menos não comigo, claro que ele vai articular com os líderes dos partidos da base, mas acho que não tira nenhum tipo eficiência. Muito pelo contrário: aqueles que sabem fazer política continuam fazendo política e articulando dentro da Câmara”, afirmou Rodrigo Maia.

O que diz a reforma administrativa?

Entre outros pontos, a proposta acaba com a estabilidade de parte dos futuros servidores. Pelo texto, a estabilidade passará a ser garantida somente para os servidores das chamadas carreiras típicas de Estado, como diplomatas e auditores da Receita Federal.

A proposta também tem o objetivo de pôr fim à aposentadoria compulsória de servidores como modalidade de punição.

Atualmente, algumas categorias de servidores públicos aplicam como sanção, a profissionais que tenham cometido alguma irregularidade, a aposentadoria compulsória. Nesse caso, a pessoa punida deixa de trabalhar, mas mantém o salário. Com a reforma, se aprovada pelo Congresso, isso não vai mais acontecer.

Outras propostas de mudança apresentadas pelo governo são a vedação de promoções ou progressões na carreira exclusivamente por tempo de serviço e a proibição de mais de 30 dias de férias por ano.

O texto enviado pelo governo modifica somente as regras para os futuros servidores, aqueles que ingressarem nas carreiras após a promulgação da emenda constitucional, e não afeta os chamados membros dos Poderes (magistrados no Judiciário, deputados e senadores no Legislativo, por exemplo).

Para esses casos, se quiserem alterar as regras, os poderes Judiciário e Legislativo terão que elaborar textos próprios, ou que a proposta do Executivo, enviada ao Congresso, seja alterada.

Tramitação de PEC

Propostas que alteram a Constituição têm rito mais demorado dentro do Congresso se comparadas a projetos de lei.

Pelas regras regimentais:

Em razão da pandemia do novo coronavírus, a CCJ da Câmara está parada. Para autorizar o funcionamento por sistema remoto, seria necessária aprovação de um projeto de resolução, o que Rodrigo Maia já disse que pode ser votado na próxima quarta-feira (9).

Se aprovada na Câmara:

Foto reproduzida da Internet


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