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Marcco divulga nota de apoio a ministra Eliana Calmon

Em nota assinada pela sua coordenadora no Rio Grande do Norte, Juliana Limeira Teixeira, o Marcco (Movimento Articulado de Combatre à Corrupção) divuglou nesta terça-feira (11)  apoio à conduta da ministra Eliana Calmon, corregedora nacional de Justiça que em recente entrevista declarou que “limitar a atribuição do Conselho Nacional de Justiça de punir magistrados corruptos,  é o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”. Segue a nota:

O Marcco (Movimento Articulado de Combate à Corrupção), organização não governamental formada por órgãos e entidades sediados no Rio Grande do Norte que têm dentre suas atribuições a prevenção e/ou o combate à corrupção, além de pessoas físicas que o integram na qualidade de voluntários comprometidos com esses mesmos ideais, vem a público manifestar seu irrestrito apoio à ministra ELIANA CALMON, Corregedora Nacional de Justiça, que em recente entrevista à Associação Paulista de Jornais, ao ser indagada sobre a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal limitar a atribuição do Conselho Nacional de Justiça de punir magistrados corruptos, declarou “que isto é o primeiro caminho para a impunidade da magistratura, que hoje está com gravíssimos problemas de infiltração de bandidos que estão escondidos atrás da toga”.

Longe de afigurar um impropério contra todo o Poder Judiciário brasileiro, a sociedade captou a exata mensagem da ministra ELIANA CALMON de que existem, na Magistratura, alguns integrantes que não honram a toga que vestem. Em que pese a bravura da Corregedora Nacional de Justiça, sua declaração não chegou a escandalizar, porque ninguém, em sã consciência, tinha a falsa percepção de que cem por cento dos juízes e desembargadores do Brasil são incorruptíveis, embora isso utopicamente fosse desejável.

É natural que numa Instituição composta por mais de quinze mil homens e mulheres, como é o caso do Poder Judiciário no Brasil, exista uma parcela, ainda que bem pequena, de membros que se desviem dos sagrados princípios da moralidade e da legalidade. Na verdade, isso é natural em qualquer instituição, pública ou privada, de um porte desses. Natural, mas nem por isso passível de ser desprezado, ainda que se trate de um magistrado.

Via de regra, a corrupção de um administrador público subtrai da sociedade os recursos que poderiam aplacar a miséria, a falta de segurança e a carência de leitos dos hospitais públicos. A corrupção de um magistrado, no entanto, principalmente se contemplada com um obsequioso corporativismo da própria Classe, causa estrago mais profundo: ela é capaz de subtrair a própria esperança de justiça e pode criar a sensação de uma doença autoimune, em que a sociedade passa a ser atacada pelos seus próprios mecanismos de defesa.

E nisso foi precisa a ministra ELIANA CALMON: se o Supremo Tribunal Federal enfraquecer o poder disciplinar do Conselho Nacional de Justiça será realmente “o primeiro caminho para a impunidade da magistratura”. Será a autoimpunidade alimentando a autoimunidade.

Que bom, existirem magistrados com o caráter, a sabedoria e a altivez da ministra ELIANA CALMON. Que bom, sabermos que eles são a grande maioria dos componentes do Poder Judiciário brasileiro e que, certamente, não temem a instância disciplinar da Corregedoria Nacional de Justiça nem qualquer outra.


Natal – RN, 11 de outubro de 2011

Juliana Limeira Teixeira

Coordenadora do Marcco

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