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Trechos do relatório apresentado pela Polícia Federal [1] (PF) que justificou o indiciamento de Marcelo Odebrecht [2], presidente da holding Odebrecht S.A, nesta segunda-feira (20), indicam que o executivo tentou ‘atrapalhar’ as investigações da Operação Lava Jato antes de ser preso.
A conclusão da PF ocorreu após a verificação de várias anotações encontradas em telefones celulares utilizados por Marcelo. Os trechos foram escritos com várias siglas.
O executivo está preso na carceragem da PF, em Curitiba, desde o dia 19 de junho. A defesa dele, representada pela advogada Dora Cavalcanti, não quis comentar o assunto.
O documento diz que as anotações citam autoridades públicas, doações de campanha, pagamentos diretos e influências junto à instituições, inclusive o Judiciário. O delegado Eduardo Mauat da Silva, considera que o caso mais grave diz respeito à utilização de dissidentes da PF para, de alguma forma, barrar o andamento das investigações.
“Marcelo ainda elenca outros passos que devem ser tomados identificando-os como ‘ações B’, tido aqui como uma espécie de plano alternativo ao principal. Dentre tais ações estão ‘parar apuração interna’, ‘expor grandes’,’desbloqueio OOG’ (Odebrecht Óleo e Gás), ‘blindar Tau’ e ‘trabalhar para para/anular (dissidentes PF…)'”, diz trecho do relatório.
Além de Marcelo Odebrecht, outras sete pessoas ligadas à empresa também foram indiciadas pela PF na segunda-feira. Os crimes citados no relatório são fraude em licitação, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, crime contra a ordem econômica e organização criminosa.
Em outro trecho do relatório a PF diz que, nas anotações, fica nítida a atenção ainda a preocupação de Marcelo em relação as Cias da Petrobras.
“Chama a atenção também a preocupação de Marcelo em relação as Cias da Petrobras estarem sendo conduzidas por ‘xiitas’ e, nas palavras dele, com seguinte linha de pensamento: temos que encontrar ‘culpado’ caso contrário vamos ser acusados de ‘incompetentes e/ou coniventes'”!
“Entretanto, diante da possibilidade de que as informações produzidas pelas Cias não fossem fidedignas seria de esperar um esclarecimento idôneo por parte da Odebrecht, ao contrário da negativa rasa ou a estratégia de ‘cortina de fumaça’ que tem sido aplicada a cada novo indício de ilicitude que surge em relação ao grupo Odebrecht”, afirma a PF em outro trecho do relatório.
Agora, o Ministério Público Federal [3] (MPF) vai analisar o indiciamento da PF para oferecer ou não uma denúncia envolvendo as empreiteiras à Justiça Federal. Se houver denúncia e o juiz federal Sérgio Moro aceitá-la, os denunciados passarão a ser réus.