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Marine Le Pen poderá concorrer à presidência, mas com uso de tornozeleira eletrônica, decide justiça francesa

Está no Brasil 247

A Justiça da França manteve a condenação da líder da direita francesa Marine Le Pen por desvio de recursos públicos, mas reduziu o período de inelegibilidade, abrindo caminho para que ela dispute a eleição presidencial marcada para abril de 2027. 

A pena foi fixada em três anos de prisão, sendo dois anos com execução suspensa e um ano em regime aberto, com monitoramento por tornozeleira eletrônica. Ao mesmo tempo, o tribunal reduziu a inelegibilidade para 45 meses, dos quais 30 foram suspensos. Como Le Pen já cumpriu a maior parte dos 15 meses restantes desde a condenação proferida em 2025, ela volta a reunir condições para concorrer ao Palácio do Eliseu.

A principal dúvida agora é se a dirigente do Reagrupamento Nacional (RN) aceitará participar da corrida presidencial mesmo sob monitoramento eletrônico. Ela tem entrevista prevista para a televisão francesa na noite desta terça-feira (7), quando poderá anunciar sua decisão sobre o futuro político.

Em declarações recentes, Le Pen havia manifestado resistência à possibilidade de fazer campanha utilizando tornozeleira eletrônica. “Se me permitirem ser candidata, mas eu for efetivamente impedida de fazer campanha livremente, então vocês compreendem que isso não seria possível”, afirmou em entrevista concedida na semana passada.

Segundo uma fonte judicial ouvida pela Reuters, o uso da tornozeleira tende a dificultar uma campanha presidencial de alcance nacional, já que a política precisaria retornar para casa todas as noites. Ainda assim, a fonte avalia que a medida não inviabilizaria completamente a disputa eleitoral. A mesma fonte acrescentou que Le Pen poderá solicitar a retirada do dispositivo após alguns meses, caso apresente bom comportamento.

Entenda a condenação

Marine Le Pen foi condenada por desviar 1,4 milhão de euros destinados pelo Parlamento Europeu à contratação de assessores parlamentares. De acordo com a acusação, entre 2004 e 2016, ela e outros integrantes do partido utilizaram recursos da União Europeia para remunerar funcionários que, na prática, trabalhavam para a legenda na França, e não em atividades vinculadas ao Parlamento Europeu.

A sentença original gerou forte repercussão política no país. Aliados da dirigente afirmaram que a decisão representava uma interferência do Judiciário na disputa democrática. Já adversários defenderam que ocupantes de cargos eletivos devem responder perante a Justiça nas mesmas condições aplicáveis a qualquer cidadão.

Partido prepara dois cenários para 2027

A decisão também intensifica as discussões internas no Reagrupamento Nacional sobre a estratégia para a eleição presidencial de 2027. Há meses, a legenda trabalha com dois cenários: uma candidatura liderada por Marine Le Pen ou, caso ela desistisse da disputa, pelo presidente do partido, Jordan Bardella.

Bardella tem afirmado que seu objetivo é ocupar o cargo de primeiro-ministro em um eventual governo de Le Pen, e não substituí-la como candidato. No entanto, caso a líder da legenda decida não disputar a Presidência, ele deverá assumir a candidatura do partido.

Pesquisas de intenção de voto colocam tanto Marine Le Pen quanto Jordan Bardella entre os principais nomes para alcançar o segundo turno da eleição presidencial francesa. Alguns levantamentos recentes apontam, inclusive, que Bardella teria desempenho superior ao de Le Pen na primeira rodada da disputa.

Foto: Wikipédia

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