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O deputado federal Mario Frias (PL-SP) teria conciliado, em um mesmo dia, compromissos como parlamentar e como integrante da produção do filme Dark Horse, segundo documentos obtidos pela Folha de São Paulo [1]. A reportagem aponta que Frias estava escalado para participar de gravações do longa-metragem em São Paulo em 25 de novembro de 2025, data em que também registrou presença em uma sessão presencial da Câmara dos Deputados, em Brasília.
De acordo com a Folha, cronogramas da produção mostram que Frias tinha atividades previstas no set de filmagem do longa, que retrata episódios da trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de atuar como produtor-executivo, o deputado interpretou o médico Dr. Álvaro, integrante da equipe que atendeu Bolsonaro após a suposta facada sofrida durante a campanha presidencial de 2018, em Juiz de Fora (MG).
Pessoas que trabalharam na produção e foram ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato afirmaram que Frias esteve presente nas gravações realizadas em São Paulo de forma frequente entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025. Segundo esses relatos, em algumas ocasiões o parlamentar teria chegado aos locais de filmagem utilizando carro oficial.
A data de 25 de novembro chama atenção por coincidir com uma sessão deliberativa presencial da Câmara dos Deputados. Conforme registros da Casa Legislativa, o encontro teve início às 15h23 e foi encerrado às 20h51. O nome de Mario Frias aparece na lista oficial de parlamentares presentes.
Ao mesmo tempo, documentos da produção de Dark Horse indicam que o deputado estava escalado para duas cenas no papel do médico Dr. Álvaro. O cronograma previa sua chegada a um hospital localizado na zona sul da capital paulista às 9h30, com gravações programadas entre 11h e 15h. Uma pessoa que participou das filmagens confirmou à reportagem que o planejamento foi cumprido.
Segundo a Folha, não é possível descartar que Frias tenha participado das gravações em São Paulo e, posteriormente, se deslocado para Brasília a tempo de registrar presença na sessão antes de seu encerramento.
A reportagem também relata ter encontrado indícios da participação de Frias como produtor-executivo nos documentos da produção. Embora seu nome não aparecesse visivelmente nas ordens do dia acessadas pelo jornal, a informação surgiria ao selecionar o conteúdo do arquivo, onde o texto estaria oculto em cor branca. Os documentos também continham a sigla “O/C” (on call), utilizada para indicar que determinado profissional permanece de sobreaviso e pode ser acionado conforme a necessidade das gravações.
A análise da agenda parlamentar do deputado entre outubro e dezembro de 2025 indica que houve períodos em que ele esteve oficialmente afastado das atividades presenciais da Câmara. Nesse intervalo, Frias recebeu autorização para duas semanas de ausência em missões oficiais.
Questionada pela reportagem sobre os deslocamentos, a Câmara dos Deputados informou apenas que registra em seus sistemas as viagens oficiais que geram despesas para a Casa. Como as viagens de Frias não teriam sido custeadas pelo Congresso, não haveria detalhes disponíveis sobre datas, horários ou destinos.
Grande parte das atividades legislativas realizadas durante o período das filmagens ocorreu em formato semipresencial, permitindo que parlamentares votassem remotamente e fossem contabilizados como presentes. O jornal destaca que, ao longo das gravações de Dark Horse, apenas dois dias em novembro e dois dias em dezembro exigiram a presença física do deputado no Congresso Nacional.
Foto reproduzida da Internet