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Mendonça vê `contornos de máfia´ na atuação do publicitário Thiago Miranda junto a Vorcaro

Está no Brasil 247

A Polícia Federal investiga a atuação do publicitário Thiago Miranda, apontado como aliado do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em uma suposta estrutura destinada a intimidar pessoas consideradas obstáculos aos interesses do empresário. A investigação foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que afirmou haver indícios de um esquema com “contornos de máfia”.

A apuração aponta que Miranda teria atuado na elaboração de dossiês contra adversários de Vorcaro, incluindo o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, e a jornalista Malu Gaspar, colunista de O Globo. A Polícia Federal sustenta que os investigados recorreram a plataformas de obtenção de dados não autorizados para levantar informações pessoais e financeiras, com o objetivo de localizar elementos que pudessem ser utilizados para constrangimento ou pressão.

A decisão de André Mendonça que autorizou a operação não informa quando ocorreram as conversas analisadas. Entretanto, segundo o blog de Malu Gaspar, os diálogos são de fevereiro de 2025, período que antecedeu o anúncio da aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Na ocasião, o Itaú pressionava o Banco Central por uma fiscalização mais rigorosa sobre a instituição de Vorcaro. Procurado, o Itaú informou que não comentaria o caso.

Pedido de dossiê contra presidente do Itaú

Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que Daniel Vorcaro solicitou a Thiago Miranda um levantamento sobre Milton Maluhy Filho e sua esposa, Camila Moretti Maluhy.

Nas conversas, Vorcaro escreveu: “Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema.”

Miranda respondeu: “Deixa comigo.”

Em outro diálogo, o publicitário informou que o material estava concluído, mas que pretendia divulgá-lo por intermédio de outro veículo.

“Passando o carnaval falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo.”

Segundo a investigação, durante as buscas foi encontrado um documento intitulado “Família Maluhy Relatório sobre Execução Fiscal — Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy, produzido com a identidade visual da Agência Mithi, empresa pertencente a Miranda. O arquivo era identificado como contendo “informações confidenciais”.

STF aponta “contornos de máfia”

Ao autorizar os mandados de busca e apreensão, André Mendonça destacou a gravidade dos fatos investigados.

Na decisão, o ministro afirmou que o esquema apresentava “grau de periculosidade da organização, conferindo-lhe contornos de máfia”.

Segundo a decisão, Thiago Miranda seria “o principal responsável por realizar pesquisas e levantamentos acerca da vida privada” da jornalista Malu Gaspar, mantendo Vorcaro informado sobre o andamento das buscas, analisando processos antigos e coordenando uma equipe dedicada a localizar informações consideradas sensíveis ou potencialmente comprometedoras.

O ministro também registrou que os investigados possuíam informações sobre familiares e patrimônio da jornalista.

PF aponta intimidação de jornalistas e concorrentes

Ao solicitar a operação, a Polícia Federal afirmou que Thiago Miranda e Daniel Vorcaro teriam atuado para “proteger o núcleo dirigente da organização criminosa; manipular a opinião pública; coagir, intimidar e violar dados sigilosos de jornalistas, concorrentes e pessoas ligadas ao presidente do Banco Central”.

A corporação acrescentou que houve “latente abuso ao buscar informações de cunho familiar para atingir os objetivos de intimidação e coação”, apontando possível enquadramento no artigo 154-A do Código Penal, que trata da invasão de dispositivo informático.

O inquérito também afirma que Miranda utilizou recursos oriundos das supostas fraudes financeiras atribuídas ao Banco Master para promover uma campanha de desinformação na imprensa. A decisão judicial autorizou a apreensão de celulares, equipamentos eletrônicos e documentos, além da extração de conversas armazenadas em aparelhos e serviços de nuvem.

Reportagens motivaram reação do grupo, diz investigação

As mensagens analisadas pela PF indicam que Daniel Vorcaro demonstrava insatisfação com reportagens publicadas por Malu Gaspar sobre investigações envolvendo o Banco Master.

Em um dos diálogos, segundo a investigação, Vorcaro afirma que precisava “frear a Malu Gaspar”, afirmando que a jornalista “iria dar trabalho nos próximos dias” após uma entrevista considerada por ele “bem ruim”.

As mensagens são de março e abril de 2025, período em que o Banco Master enfrentava uma crise financeira.

A reportagem também informa que, no mesmo período, Thiago Miranda teria procurado Malu Gaspar e o colunista Lauro Jardim com uma proposta de contratação, iniciativa que, segundo a investigação, buscava interromper a produção de reportagens sobre o banco.

Em outra decisão, que determinou a segunda prisão de Daniel Vorcaro, André Mendonça afirmou haver indícios de que o ex-banqueiro determinou a simulação de um assalto ou de situação semelhante para “prejudicar violentamente” o jornalista Lauro Jardim.

Foto reproduzida da Internet

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