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Meu caro leitor, você já viu eleição mais complicada do que essa em Natal?

Nunca na história política da cidade de Natal se viu um processo sucessório tão complicado quanto esse do prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB). São tantas ídas e vindas, que se a maioria dos eleitores não estivesse alheio a tudo isso que vem ocorrendo na política local, como provam as pesquisass de intenção de voto, certamente estaria agora totalmente confuso.

Senão vejamos: Primeiro foi o imbróglio criado no PT quanto a quem seria o candidato do partido à sucessão municipal. Inicialmente, foram lançados dois nomes – o do deputado Fernando Mineiro e o da secretária municipal de Planejamento, Virgínia Ferreira. Depois, os dois nomes foram retirados de cena, após uma articulação política do deputado federal Henrique Eduardo Alves (PMDB) junto à governadora Wilma de Faria (PSB) e o presidente do Senado Garibaldi Alves (PMDB), para que os dois partidos se unissem em apoio à candidatura da deputada petista Fátima Bezerra.

Acordada a tríplice aliança, surgem dois problemas: convencer o vereador Hermano Morais (PMDB) e o deputado federal Rogério Marinho (PSB), lançados candidatos a prefeito de Natal pelos seus partidos a retirarem suas candidaturas. Embora traumático, Hermano Morais foi convencido a abdicar do seu projeto político e sair candidato a reeleição. No caso de Rogério Marinho, o “parto” não foi tão fácil assim. O processo de sua candidatura foi levado à convenção, onde perdeu. Mas antes disso, numa reunião no diretório municipal do PSDB, houve xingamentos, troca de insultos, spray de pimenta, enfim, uma verdadeira baixaria entre os grupos que defendiam a candidatura própria do partido, e os que defendiam uma aliança com o PT e PMDB tendo Fátima Bezerra na cabeça de chapa.

Passado esse processo traumático envolvendo o PMDB e o PSB, partidos que fazem parte da base aliada do governo Lula, eís que o ex-secretário-chefe do Gabinete Civil do governo do estado, deputado Wober Júnior (PPS), se lança também candidato a prefeito da capital do RN, como uma suposta terceira via na eleição de outubro. Dizem que com o aval da governadora Wilma de Faria. Wober, para tentar tonificar a sua candidatura, consegue o apoio do tucano ex-senador Geraldo Melo, presidente estadual do PSDB. Melo indica para ser o vice do candidato comunista o deputado estadual Luiz Almir, preterido por ele [Geraldo Melo] para sair candidato a prefeito. Almir recusa e diz que vai votar na deputada Micarla de Souza (PV), outra candidata  ao Palácio Felipe Camarão.

O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Robinson Faria (PMN), e o deputado federal João Maia (PR), ambos sonhando com o governo do estado em 2010, firmam um pacto de caminharem juntos nestas eleições municipais no estado, inclusive, em Natal. Os dois simpatizam com a candidatura de Micarla, mas a governadora Wilma de Faria tenta convencê-los a apoiar Fátima Bezerra para se manterem juntos também no plano local, ou seja, em Natal. Faria e Maia resistem, até porque o prefeito Carlos Eduardo Alves, um dos maiores defensores da candidatura petista, também tem projeto de sudecer Wilma no governo.

Conversa vai conversa vem, às vésperas das convenções, Garibaldi sugere a Fátima Bezerra retirar sua candidatura, tendo em vista o alto índice de rejeição que a petista sofre, a desmotivação das militâncias do PSB e do PMDB com a campanha majoritária da aliança governista, e a falta de dinheiro para o marketing da candidata. O marqueteito da governadora, Alexandre Macedo, recusa o convite para dirigir o marketing. O advogado da governadora, Érick Pereira, também não aceita participar do jurídico da campanha. O clima começa a ficar tenso na coordenação da majoritária.

Faltando um dia para a convenção que homologaria a candidatura de Fátima Bezerra a prefeita de Natal, as conversas giram em torno de que o deputado João Maia seria agora o candidato da aliança governista. Maia conversa com o senador José Agripino, que apóia Micarla, e sai da reunião disposto a não aceitar os apelos para a candidatura. Isso só se viabilizaria se houvesse o compromisso de Wilma e Garibaldi em apoiá-lo. A governadora conversa com Fátima e diz que continua a apoiá-la. Garibaldi também é convencido por Henrique Eduardo e a governadora a continuar a apoiar Fátima.

Ronbinson Faria e João Maia, no mesmo dia, anunciam oficialmente o apoio a Micarla de Souza. O ex-deputado Paulnho Freire (PP), extraoficialmente indicado vice de Micarla, aceita o convite. João Maia passa a ser então “a viúva Porcino”, ou seja, o candidato a prefeito de Natal que nunca foi.

Mas, na aliança governista ainda falta ser resolvido a questão do vice, que pelo acordo, caberia o PSB indicar, já que o nome da deputada Fátima Bezerra foi indicação do senador Garibaldi Alves e do deputado federal Henrique Eduardo Alves, ou seja, do PMDB. Surge aí um novo problema. Ninguém no PSB aceita ser o vice de Fátima. A governadora convoca uma reunião horas antes da convenção do PT, na residência oficial, para escolher o nome. O vereador Hermano Morais, que estava na convenção do PMDB, na sede do partido, é chamado às pressas. Motivo: convecê-lo para ser o vice. “Gato escaldado”, Morais recusa. O edil já havia passado por experiência negativa quando foi vice do então candidato a prefeito de Natal, ex-deputado João Faustino (PSDB), que perdeu a eleição. E qual seria então a solução? Indicar um outro nome do PMDB, já que ninguém no PSB queria a missão. Foi aí que surgiu o nome do filho do senador Garibaldi Alves, deputado Walter Alves. Essa uma tentativa de engajar os insatisfeitos do PMDB  ma campanha de Fátima Bezerra.

Agora, só falta a campanha começar pra valer. Esperamos que não tenhamos mais  surpresas. Basta. O eleitor natalense não merece isso. Já foi por demais tolhido em sua escolha. Queremos ver propostas e votar naquele candidato (a) mais preparado para administrar a nossa cidade.

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