Os milhões de reais – R3 134 milhões pra ser mais exato – supostamente financiados por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso por envolvimento no maior escândalo financeiro no país, pode ser “tapia”, palavra muita usada no Nordeste para dizer que uma pessoa está blefando.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pretenso candiato à Presidência da República, pode estar blefando quando cobrou em conversa com Vorcaro os R$ 134 milhões da produção cinematográfica que fala da biografia do pai, Jair Messias Bolsonaro (PL-RJ), preso com pena que chega a 27 anos de reclusão por tentativa de golpe de Estado.
Ninguém em sã consciência acredita que R$ 134 milhões seja para financiar um filme. Nenhum filme brasileiro ou uma produção americana dessas características custa tudo isso.
Se a Polícia Federal seguir o rastro do dinheiro, como no caso Watergate em que o presidente americano Richard Nixon foi afastado do poder, pode chegar a conclusão que parte do dinheiro é originária do escândalo que envolve o esquema dos consignados do INSS com o Banco Master e parte do dinheiro é o dinheiro da tentativa de golpe.
As movimentações financeiras identificadas em uma conta no Texas podem revelar um esquema internacional de financiamento da extrema direita brasileira.
Um fundo ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, comprou uma casa em Arlington, no Texas, estado americano onde vive o ex-deputado federal.
O imóvel foi adquirido em fevereiro por cerca de R$ 3,6 milhões pelo Mercury Legacy Trust, fundo privado de gestão patrimonial usado para administrar bens em nome de terceiros.
Paulo Calixto também administra o Havengate Development Fund, estrutura que recebeu parte dos R$ 61 milhões enviados em 2025 pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo Flávio, os recursos seriam destinados ao financiamento do filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política de Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga o destino dos valores transferidos pelo dono do Banco Master ao Havengate. Os investigadores suspeitam que parte dos recursos possa ter sido usada para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro admitiu ter solicitado dinheiro a Daniel Vorcaro, mas negou que os valores tenham sido usados para manter Eduardo Bolsonaro fora do país. Reportagem do Intercept Brasil revelou que o senador apresentou ao empresário o projeto do filme sobre Jair Bolsonaro como justificativa para os repasses milionários. Certamente a “tapia” esteja aí.
Nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro classificou a investigação da PF como “tola” e negou ter sido beneficiado pelos recursos enviados por Vorcaro. Segundo ele, seu status migratório nos Estados Unidos impediria o recebimento de dinheiro por meio de fundos de investimento. “Se isso tivesse ocorrido, as próprias autoridades americanas já teriam me punido”, declarou.
Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, a principal linha de apuração busca esclarecer se os valores enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e ligado ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram usados exclusivamente na produção do filme ou também ajudaram a custear despesas do ex-deputado nos Estados Unidos.
As novas revelações envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro e uma conta administrada nos Estados Unidos representam um salto nas investigações sobre a estrutura financeira ligada ao bolsonarismo.
Outro aspecto que passou a chamar atenção dos investigadores envolve o grau de proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.
Desde a divulgação das primeiras mensagens, o senador afirmou que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024 e que o relacionamento entre ambos se restringia às negociações sobre o financiamento do filme.
Na sexta-feira (15), porém, Flávio admitiu a possibilidade de surgirem novos registros de contato com o empresário.
“Pode vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme”, afirmou o senador em entrevista à CNN Brasil.
Foto reproduzida da Internet