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O Ministério da Saúde solicitou à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) a avaliação para a incorporação das chamadas “canetas emagrecedoras” na rede pública de saúde. O pedido da pasta foi protocolado e prevê a análise da oferta desses medicamentos voltados ao tratamento de pacientes com obesidade.
O documento entregue pelo Ministério da Saúde destaca uma redução expressiva de 70% nos preços desses produtos no Brasil em menos de um ano, impulsionada pela ampliação da concorrência no mercado nacional. Diante desse novo cenário econômico, a pasta requisitou que a Conitec avalie a inclusão no SUS de medicamentos formulados à base de semaglutida — princípio ativo de remédios como Ozempic e Wegovy — ou liraglutida, compostos que já não contam com proteção de patente no país.
A perda das patentes e a consequente entrada de concorrentes transformaram o mercado brasileiro. Até o momento, 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no Brasil, sendo 14 desses registros realizados em 2026, abarcando versões produzidas nacionalmente e medicamentos genéricos, com a expectativa de aprovação de novos registros em breve. Essa expansão de fabricantes e distribuidores fez do Brasil o país com a maior variedade desse tipo de produto no mundo, provocando a forte queda dos preços no varejo.
Segundo a proposta, uma eventual incorporação ao SUS deverá estabelecer critérios clínicos rigorosos para a concessão e o acesso ao tratamento. O objetivo é focar o atendimento nos pacientes em que o controle da obesidade traga benefícios significativos à saúde, reduzindo complicações e prevenindo a necessidade de procedimentos médicos de maior complexidade.
Cenário epidemiológico e diretrizes internacionais
A iniciativa governamental busca responder ao aumento acelerado nos casos de obesidade no país. Dados do Ministério da Saúde apontam que a prevalência da doença entre a população brasileira saltou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024. O avanço da condição amplia a necessidade de acompanhamento médico e tratamentos de longa duração, gerando impactos diretos na mortalidade, na qualidade de vida da população, na produtividade do trabalho e no volume de gastos do próprio sistema público de saúde.
A medida alinha-se à primeira diretriz da Organização Mundial da Saúde (OMS) referente ao uso populacional e contínuo de terapias baseadas em receptores de GLP-1 para o tratamento da obesidade a longo prazo, publicada no final de 2025. A inclusão no SUS atuará de forma complementar às estratégias e políticas públicas já vigentes de combate à doença.
A OMS destaca que o acesso equitativo a terapias com GLP-1 e a preparação das redes públicas são cruciais. Segundo a organização internacional, a falta de políticas públicas deliberadas pode acentuar as disparidades sociais e de saúde existentes. Por isso, a entidade faz um apelo global por ações urgentes que garantam a produção, a acessibilidade e a prontidão dos sistemas de saúde.
Como parte do planejamento e acompanhamento dessa estratégia, o Ministério da Saúde também conduz pesquisas por meio do Grupo Hospitalar Conceição (GHC), localizado em Porto Alegre (RS), avaliando o uso prático e os resultados desse tipo de medicação em pacientes atendidos pelo SUS.
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