- blogdobarbosa - https://blogdobarbosa.jor.br -

Moraes autoriza cooperação internacional para quebra de sigilo bancário de contas de investigados do caso das joias de Bolsonaro nos EUA

Está no g1

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes autorizou o pedido de cooperação internacional feito pela Polícia Federal (PF) [1] para solicitar aos Estados Unidos a quebra de sigilo bancário das contas dos investigados no caso das joias presenteadas pela Arábia Saudita na Flórida. São as contas do ex-presidente Jair Bolsonaro [2] (PL), de seu ex-ajudante de ordens Mauro Cid [3] e de seu pai, general Cid e, se houver, do advogado Frederick Wassef .

As joias recebidas por Bolsonaro e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deveriam fazer parte do acervo da República e foram vendidas ilegalmente. O Supremo Tribunal Federal (STF) pediu quebra do sigilo bancário tanto do ex-presidente quanto de Michelle [4].

Wassef admitiu que viajou aos EUA e que recomprou o relógio [5] da marca Rolex. Na quinta-feira (16), foi alvo de busca e apreensão em uma churrascaria em São Paulo [6]. Ele teve os celulares apreendidos e o carro revistado. Segundo levantamento da PF, Wassef possui 32 armas de fogo. Entre elas, quatro armas e um porte válido no SINARM (SINARM – Sistema Nacional de Armas – Polícia Federal), uma pistola Glock 9mm; uma pistola .45; uma pistola Sig Sauer 9mm e uma carabina Brigade. Ainda, 28 armas registradas no SIGMA (Sistema de Gerenciamento Militar de Armas do Exército) como CAC –destas, 12 são fuzis. Nenhuma destas armas foram encontradas nos endereços dos advogado [7].

O pedido de cooperação também prevê requerer ao FBI que investigue as joalherias e lojas [1] onde foram vendidos kits e relógios dados de presente ao governo brasileiro. O objetivo é identificar pessoas físicas que, via telefone ou meio eletrônico, transacionaram ilegalmente esses bens e onde foi parar o dinheiro obtido das vendas.

No caso da recompra do Rolex, feito pelo advogado Frederick Wassef, o pedido ao FBI também será no sentido de investigar de onde saiu o dinheiro usado por ele para recomprar o relógio que foi devolvido ao TCU. Se os US$ 49 mil pagos para a joalheira da Pensilvânia saíram de alguma conta nos EUA, via saque na boca do caixa ou saques feitos em caixas eletrônicos. Wassef disse que pagou o relógio em espécie.

A PF fez uma lista de pedidos ao FBI para obter mais informações:

Entenda o caso

O relógio de luxo da marca Rolex foi um presente de autoridades sauditas a Jair Bolsonaro durante uma viagem oficial do então presidente da República em 2019 à Arábia Saudita e ao Catar. O item foi levado para os Estados Unidos – para onde Bolsonaro viajou às vésperas de deixar a Presidência – e lá foi vendido, segundo a Polícia Federal (PF), ilegalmente, pelo então ajudante de ordens de Bolsonaro Mauro Cid.

Em 15 de março, o TCU definiu prazo de cinco dias úteis para que Bolsonaro entregasse ao tribunal um kit com joias suíças da marca Chopard, em ouro branco, recebidas como presente do governo da Arábia Saudita em viagem oficial de 2019. A joia foi devolvida [8].

Após a existência do Rolex ser revelada, em março de 2023 assessores do ex-presidente colocaram em campo uma operação para reaver o relógio, e Wassef, segundo as investigações, viajou aos Estados Unidos para buscá-lo.

A PF identificou diversas interações entre Wassef e Mauro Cid na época e, em 11 de março, Wassef embarcou para os Estados Unidos.

O que diz Bolsonaro

Confira o que a defesa de Bolsonaro disse após a operação da PF, na sexta-feira (11):

“Sobre os fatos ventilados na data de hoje nos veículos de imprensa nacional, a defesa do Presidente Jair Bolsonaro voluntariamente e sem que houvesse sido instada, peticionou junto ao TCU — ainda em meados de março, p.p. —, requerendo o depósito dos itens naquela Corte, até final decisão sobre seu tratamento, o que de fato foi feito.

O Presidente Bolsonaro reitera que jamais apropriou-se ou desviou quaisquer bens públicos, colocando à disposição do Poder Judiciário sua movimentação bancária.”

Confira a manifestação de Frederick Wassef sobre o caso, no domingo (13):

“Como advogado de Jair Messias Bolsonaro, venho informar que, mais uma vez, estou sofrendo uma campanha de fake news e mentiras de todos os tipos, além de informações contraditórias e fora de contexto. Fui acusado falsamente de ter um papel central em um suposto esquema de vendas de joias. Isso é calúnia que venho sofrendo e pura mentira. Total armação.

A primeira vez que tomei conhecimento da existência das joias foi no início deste ano de 2023 pela imprensa. Quando liguei para Jair Bolsonaro, ele me autorizou, como seu advogado, a dar entrevistas e fazer uma nota à imprensa. Antes disso, jamais soube da existência de joias ou quaisquer outros presentes recebidos. Nunca vendi nenhuma joia, ofereci ou tive posse. Nunca participei de nenhuma tratativa, nem auxiliei nenhuma venda, nem de forma direta nem indireta. Jamais participei ou ajudei de qualquer forma qualquer pessoa a realizar nenhuma negociação ou venda.

A Polícia Federal efetuou busca em minha residência no Morumbi, em São Paulo, e não encontrou nada de irregular ou ilegal, não tendo apreendido nenhum objeto, joias ou dinheiro. Fui exposto em toda televisão com graves mentiras e calúnias.”

Foto reproduzida da Internet

Compartilhe:
[9] [10]