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O ministro da Defesa, José Múcio, discutirá com Elbridge Colby, subsecretário de Guerra dos Estados Unidos, a classificação, pelo lado norte-americano, das fações criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas, durante agenda no Peru na quarta-feira (7). A reunião ocorrerá à margem da Conferência de Ministros da Defesa das Américas (CMDA) e foi solicitada pelo governo brasileiro, segundo Larissa Rodrigues, da CNN Brasil [1].
O encontro terá como tema central a decisão do governo norte-americano de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. A medida acendeu um sinal de alerta em Brasília, sobretudo diante de dúvidas sobre possíveis desdobramentos da tipificação.
Antes de embarcar para o Peru, Múcio deve se reunir com o presidente Lula (PT). A conversa servirá para alinhar a posição que será levada ao representante do governo de Donald Trump. O Palácio do Planalto quer compreender se a iniciativa dos Estados Unidos ficará restrita ao enquadramento jurídico das facções ou se pode abrir espaço para algum tipo de atuação norte-americana em território brasileiro.
A preocupação do governo brasileiro é evitar que o debate sobre combate ao crime organizado seja usado como justificativa para medidas que possam ferir a soberania nacional. Lula deve orientar Múcio a deixar claro que o Brasil reconhece a gravidade da atuação de grupos como PCC e Comando Vermelho, mas considera que o enfrentamento às organizações criminosas deve ser conduzido pelas instituições brasileiras.
No encontro com Elbridge Colby, o ministro da Defesa também deverá ressaltar ações realizadas pelo governo brasileiro nos últimos anos no combate ao crime organizado. A ideia é reforçar que o país tem instrumentos próprios de investigação, inteligência, segurança pública e cooperação internacional para lidar com facções que atuam dentro e fora do território nacional.
A reunião ocorre em um momento de maior tensão diplomática entre Brasília e Washington. Autoridades brasileiras têm acompanhado com cautela manifestações recentes de integrantes do governo dos Estados Unidos sobre temas internos do Brasil, incluindo segurança, comércio e política externa.
Ao tratar da possível classificação de facções brasileiras como organizações terroristas, o governo Lula busca evitar que o tema seja conduzido de forma unilateral por Washington. Para Brasília, qualquer cooperação internacional nessa área precisa respeitar os canais diplomáticos, os acordos bilaterais existentes e a autoridade do Estado brasileiro sobre seu próprio território.
A agenda de Múcio no Peru, portanto, vai além dos debates formais da Conferência de Ministros da Defesa das Américas. O encontro com o representante do governo Trump será acompanhado de perto pelo Planalto, que vê na reunião uma oportunidade para afirmar a disposição do Brasil em cooperar contra o crime organizado sem abrir mão da soberania nacional.
Foto reproduzida da Internet