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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) se reúne nesta quarta-feira (13) e deve reduzir a taxa básica de juros da economia de 12,25% para 11,75% ao ano. A decisão será anunciada após as 18h.
O corte de 0,5 ponto percentual é a aposta da maior parte dos economistas dos bancos. Se confirmada, essa será a quarta redução seguida na taxa Selic – que cairá ao menor patamar desde março de 2022, quando estava em 10,75% ao ano.
Considerando o bom comportamento da inflação [1], a projeção do mercado financeiro é de que a taxa de juros continue recuando ao longo de 2024, e que termine o próximo ano em 9,25% ao ano.
Como as decisões são tomadas
Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, no sistema de metas de inflação, o BC faz projeções para o futuro.
Neste momento, a instituição já está mirando na meta do ano que vem, e também para o primeiro semestre de 2025 (em doze meses). Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
- A meta de inflação do próximo ano, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.
- A partir de 2025, o governo mudou o regime de metas de inflação, e a meta passou a ser contínua, de 3%, podendo oscilar entre 1,5% e 4,5% sem que seja descumprida.
- Na semana passada, os economistas do mercado financeiro estimaram que a inflação de 2024 somará 3,93% e, a de 2025, 3,50%. [2]
De acordo com Pedro Oliveira, do Paraná Banco Investimentos, a inflação no Brasil e no mundo tem se mostrado benigna, ou seja, vários itens dentro do índice têm mostrado desaceleração.
“O preço das commodities [produtos básicos, como petróleo e minério de ferro] caiu significativamente desde a última reunião do Copom, principalmente o preço do petróleo, o que deve ajudar a inflação nos próximos meses”, avaliou, por meio de comunicado.
Em análise, a XP Investimentos considerou que, desde a última reunião do Copom, no começo de novembro, as notícias foram benignas para a inflação de curto prazo em termos líquidos, com queda das taxas de juros em países desenvolvidos, com recuo da inflação e dos preços do petróleo.
A instituição projetou continuidade dos cortes de juros, com a Selic sendo reduzida para 11,75% ao ano neste semana e 10% ao ano no fechamento de 2024.
“O principal risco, a nosso ver, continua no lado fiscal. Notícias recentes sugerem novas despesas fora dos limites do arcabouço recentemente aprovado, e menos contingenciamento orçamentário se a meta fiscal estiver sob risco de não ser atingida. Esses sinais reforçam a nossa visão de que a política fiscal tem um viés expansionista, o que tende, em algum momento, a pressionar as expectativas de inflação”, acrescentou a XP, em comunicado.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, tem insistido na meta de déficit zero nas contas públicas em 2024 [3]. Para isso, precisa aprovar uma série de medidas de aumento de arrecadação, no valor de R$ 168 bilhões – valor anunciado em agosto deste ano [4]. O mercado financeiro, porém, estimou em novembro que as contas terão um rombo de R$ 90 bilhões em 2024.
Corte de juros
De acordo com especialistas, a redução da taxa de juros no Brasil terá algumas consequências para a economia. Veja abaixo algumas delas:
- Redução das taxas bancárias: a tendência é que os cortes de juros sejam repassados aos clientes. Em outubro, a taxa média de juros cobrada pelos bancos em operações com pessoas físicas e empresas recuou pelo quinto mês seguido e atingiu o menor patamar desde dezembro do ano passado [5]. Os dados são do Banco Central.
- Crescimento da economia: com juros mais baixos, a expectativa é de que comece a haver um comportamento melhor do consumo da população e, também, melhora dos investimentos produtivos, impactando positivamente o Produto Interno Bruto (PIB), o emprego e a renda. Os dados de atividade têm surpreendido positivamente neste ano. [6]
- Melhora das contas públicas: as reduções de juros também favorecem as contas públicas, pois diminuem as despesas com juros da dívida pública. Em 2022, a despesa com juros somou R$ 586 bilhões. Na porcentagem do PIB (5,96%), foi o maior patamar desde 2017. Analistas estimaram que a redução dos juros pode gerar economia de R$ 100 bilhões em 2024. [7]
- Impacto nas aplicações financeiras: investimentos em renda fixa, como no Tesouro Direto e em debêntures, porém, tendem a ter um rendimento menor, com o passar do tempo, do que teriam com juros mais elevados. Com a queda da Selic, a tendência é que os investimentos em renda variável fiquem mais atrativos. Especialistas ouvidos pelo g1 ponderaram, no entanto, que esse movimento tende a ocorrer ao longo do tempo. [8]