Está no Blog da Sandra Cohen
Quantas vezes ouvimos nos últimos anos notícias sobre prisões e desaparecimentos e morte de Alexei Navalny [1]? O fim do opositor russo mais proeminente de Vladimir Putin [2] parecia estar sempre próximo e finalmente concretizou-se nesta sexta-feira (16) [3], aos 47 anos, numa prisão longínqua do Ártico, onde estava confinado e cumpria penas de 30 anos, supostamente por fraudes, financiamento de atividades extremistas e outros crimes que se resumiam a um adjetivo: o de crítico do Kremlin.
Navalny incomodava por ser considerado o único dissidente capaz de mobilizar os russos. Na década passada era frequente vê-lo algemado em protestos que denunciavam a corrupção e o cerceamento da liberdade no regime. Pagou um preço alto por isso.
Em 2020, foi envenenado durante um voo com o agente nervoso Novichok, produzido na era soviética e banido como arma química letal. Entrou em coma e, tratado na Alemanha, esteve à beira da morte. Um ano depois, voltou à Rússia [4] e foi encarcerado — situação que não via perspectiva de sair enquanto Putin estivesse no comando do país.
“Eu gostaria de ser presidente, mas não há eleições na Rússia”, declarou Navalny numa entrevista à Reuters.
Vladimir Putin anunciou em dezembro que vai concorrer às eleições russas [5]neste ano, em março. Sem opositores concorrendo [6], o presidente deve se reeleger para seu quinto mandato consecutivo, de seis anos.
Imagens do opositor enjaulado em julgamentos enganosos anteviam um desfecho semelhante ao de outros opositores.
“Putin tentou e não conseguiu assassinar Navalny rápida e secretamente com veneno e agora o assassinou lenta e publicamente na prisão. Ele foi morto por expor Putin e sua máfia como os bandidos e ladrões que são”, resumiu o ex-campeão de xadrez Gary Kasparov.
As reações à sua morte [7] convergem na mesma direção – a do presidente russo. Quantas vezes ouvimos o mesmo em relação a outras vozes críticas ao Kremlin que acabaram silenciadas?
Foto: Gazeta do Povo