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Nem os ataques golpistas de 8 de janeiro [1] foram suficientes para banir os anúncios antidemocráticos nas redes sociais. Mensagens pagas, que estimulam o ódio e a violência, continuam passando pelo filtro de algumas plataformas, como mostra a reportagem de Álvaro Pereira Júnior.
Oito de janeiro de 2023: um dia triste para a história do Brasil [2]. Vândalos golpistas depredaram o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o Palácio do Planalto. Nesse contexto de ataques à democracia, um grupo de pesquisadores brasileiros e uma organização internacional chamada Global Witness – Testemunha Global – puseram em prática alguns experimentos.
“A Meta [3], dona do Facebook [4], sempre deixou claro que a eleição no Brasil era uma prioridade, pela quantidade de desinformação que se espalhava pela rede. Aí, a empresa disse que ia bloquear conteúdo de desinformação e incentivo à violência. Então, nós fomos testar se isso era pra valer”, destaca a pesquisadora chefe de parcerias globais da Global Witness, Julie Anne Miranda-Brobeck.
Assim, desde agosto de 2022 — antes das eleições — até o fim de janeiro de 2023— ou seja, muito depois das invasões em Brasília —, os pesquisadores da UFRJ e da Global Witness foram fazendo testes. Eles criaram anúncios pagos contra a democracia, pondo em dúvida a integridade das urnas eletrônicas e pregando a violência política. E iam submetendo esses anúncios ao Facebook [4] e ao Youtube [5], que é de outro grupo, dono do Google.
Os pesquisadores já tinham detectado o alto tráfego de anúncios atacando a democracia nas redes sociais.
“Uma das estratégias da extrema direita e não só no Brasil, no mundo, é justamente questionar o resultado das eleições. Ela faz uma campanha permanente, de anos, questionando, colocando a população com dúvidas sobre de fato se esse processo eleitoral é lícito, porque aí se o resultado da eleição convém, fica por isso mesmo, mas se não convém eles começam a acionar essa campanha a que as pessoas já estavam expostas há muitos anos”, afirma Rose Marie, pesquisadora da UFRJ.
Isso vai contra os princípios que as plataformas dizem seguir e desrespeita a lei eleitoral brasileira, que proíbe compartilhar informações falsas sobre o processo das eleições.
É importante explicar que, mesmo depois que os anúncios são aprovados, a Global Witness não publica nada.
Em nota, a Meta [3] — dona do Facebook [4] e do Instagram — disse que removeu centenas de milhares de conteúdos no Brasil durante e depois da campanha eleitoral. Também afirma que o experimento da Global Witness e do Netlab são uma “pequena amostra”, que não é representativa da escala do trabalho feito pela plataforma.
O Youtube [5] informou que proíbe anúncios prejudiciais à confiança no processo eleitoral democrático. E que age imediatamente quando identifica anúncios que envolvem eventos sensíveis como as invasões de 8 de janeiro.
Foto reproduzida da Internet