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O atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, usou a celebração dos 250 anos da independência norte-americana para atacar a chamada “ameaça comunista”, mirar imigrantes e tentar transformar vitórias progressistas nas primárias democratas em um fantasma político nacional.
Segundo a Reuters, Trump discursou na véspera do 4 de Julho no Monte Rushmore, em Keystone, Dakota do Sul, diante do monumento que reúne os rostos de quatro presidentes norte-americanos esculpidos na montanha. O tom do discurso, porém, revelou menos força do que medo e fragilidade: por trás da retórica agressiva, Trump deixou explícita a ansiedade de uma potência que vê sua hegemonia contestada pela ascensão da China e pelo avanço de novas forças políticas dentro dos próprios Estados Unidos.
“Estamos sob o monumento destes heróis, um grupo realmente incrível de pessoas, e nos rededicamos a ser uma nação tão grande, ousada, nobre e grandiosa quanto estes gigantes americanos, e isso não é fácil de fazer, mas nós vamos conseguir”, afirmou Trump.
Em seguida, o republicano afirmou que haveria uma retomada da “ameaça comunista” dentro do país.
“Há agora um ressurgimento da ameaça comunista em nossa terra, inclusive por parte de recém-chegados ao nosso país que abraçam ideias totalmente opostas ao nosso modo de vida e ao nosso grande sucesso”, disse. “Não vamos deixar isso acontecer.”
A fala vinculou diretamente a retórica anticomunista à agenda anti-imigração que impulsionou Trump politicamente. O presidente também tentou associar o crescimento de candidatos democratas progressistas e socialistas democráticos a uma suposta ameaça existencial aos Estados Unidos.
O discurso ocorreu em meio à preocupação de republicanos com as eleições legislativas de novembro, especialmente após vitórias recentes de candidatos progressistas em primárias democratas em Nova York, Colorado, Kentucky, Nova Jersey, Ohio, Pensilvânia e Texas.
Em outro trecho, Trump defendeu a expulsão de “recém-chegados” ao país.
“Nós resolvemos e juramos, para que todos ouçam, que os cidadãos dos Estados Unidos da América derrotarão rapidamente o comunismo… Nós os mandaremos embora rapidamente e continuaremos a construir nosso país maior e melhor, mais forte do que nunca. A América nunca será um país comunista!”, declarou.
Logo depois, ele conectou o discurso ideológico à disputa eleitoral.
“Só podemos perder as eleições de meio de mandato se permitirmos que nós mesmos as percamos”, afirmou.
Na semana anterior, Trump já havia chamado as vitórias de candidatos progressistas de “a maior ameaça ao nosso país desde sua fundação”.
Embora Trump tente se apresentar como defensor da grandeza norte-americana, o discurso no Monte Rushmore expôs o contrário: uma liderança acuada por mudanças internas e externas. A insistência em falar em “comunismo”, em atacar imigrantes e em transformar adversários eleitorais em inimigos da pátria revela a dificuldade de lidar com um mundo multipolar, no qual a China se consolidou como potência econômica, tecnológica e geopolítica capaz de desafiar a primazia dos Estados Unidos.
A celebração dos 250 anos da independência norte-americana ocorreu em ambiente de forte polarização política, inflação persistente, alta nos preços da gasolina e impactos da guerra entre Estados Unidos-Israel e Irã sobre o debate interno.
No sábado, Trump tinha previsão de discursar novamente no National Mall, em Washington, antes de uma grande queima de fogos, enquanto uma onda de calor afetava celebrações do 4 de Julho em várias regiões do país.
Foto reproduzida da Internet