Para o Cristianismo, o homem é criatura, não é criador. Isso desde logo implica que ele faz parte de uma ordem vasta que o transcede. Essa ordem pode ser gradual e tentativamente descoberta pela razão, assistida pelo diálogo com a fé. Desse processo faz parte a descoberta dos valores morais, designadamente dos deveres e direitos morais. Estes são produto da vontade, nem são arbitrários ou equivalentes. São descobertos, não inventados.
Mas se há um criador e este produziu, à sua imagem e semelhança, a criatura, então não há do que reclamar. Isso aplica-se a governadora Wilma de Faria (PSB) e ao deputado federal Rogério Marinho (PSB). Marinho é da escola de Wilma. Sempre esteve ao seu lado e aprendeu com ela os meandros da política. Se Rogério Marinho hoje a desafia, é porque a criatura voltou-se contra a criadora. Os motivos todos sabem, e a briga intestinal deflagrada entre Wilma de Faria e Rogério Marinho, certamente deixará feridas que não serão tão facéis de serem cicatrizadas pelo menos a curto prazo.