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Indicada nesta terça-feira (29) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva [1] para ser uma das nova ministras do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a advogada Daniela Teixeira já confrontou Jair Bolsonaro [2] na Câmara dos Deputados, em 2016, durante audiência sobre violência contra a mulher e cultura do estupro.
À época vice-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF), Daniela fez um discurso na tribuna da Câmara defendendo punição aos agressores de mulheres, entre eles o então deputado Jair Bolsonaro, pela declaração de 2014 em que incorreu em apologia ao estupro ao afirmar que a deputada Maria do Rosário (PT-RS) [3] não “merece” ser estuprada pois seria “muito feia”.
“Enquanto esses agressores não forem punidos a violência não vai diminuir. E eles devem ser punidos. Seja ele quem for. Seja o promotor que abusa de uma vítima durante uma audiência ou seja um deputado que é réu numa ação já recebida no STF. É o senhor, deputado Jair Bolsonaro”, disparou, na ocasião, Daniela Teixeira.
A fala da advogada deixou Bolsonaro descontrolado. O então deputado tumultuou a sessão e subiu à tribuna na tentativa de atacar verbalmente Daniela Teixeira. Presidente daquela sessão, a deputada federal Maria do Rosário chegou a pedir proteção e Daniela deixou a Câmara sob escolta de assessores parlamentares.
Daniela Teixeira relatou que, antes de deixar o local, chegou a ser ameaçada pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) [4]. “Te pego lá fora”, teria dito o parlamentar.
Em 2019, a advogada foi a mais votada pela lista tríplice elaborada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para compor a Corte, mas seu nome foi vetado por Jair Bolsonaro, que naquele ano havia assumido a presidência da República. O filho do então presidente, Eduardo Bolsonaro, inclusive, publicou à época o vídeo do discurso de Daniela Teixeira na Câmara para adiantar que seu pai vetaria sua indicação ao TSE.
Veja vídeo clicando aqui [5]
Fotos: Reprodução/TV Câmara