por Ricardo Lagreca
As ladeiras são sempre belas. Assim como a chuva quebra a monotonia do sol, elas quebram a insipidez da falta de alguma inclinação, para um caminho a qualquer ponto.
Produzem movimentos mais fortes e tornam as coisas mais alegres. Quase sempre são bucólicas.
Assim, são as ladeiras da Ribeira, a ladeira do Sol, as ladeiras de Olinda e de Salvador. Bem perto de nós, a ladeira do restaurante Tibério, assume oferecer por inteiro, todas essas sensações.
Lá, em uma das suas mesas, o querido amigo e chef Vittorio Marzocchi, nos dá o privilégio de saborear uma deliciosa e verdadeira pasta italiana. Enquanto isso, olhamos e sentimos as pessoas que sobem e descem, mexem e remexem ladeira afora, irradiando os ares da alegria e da paz. Compõem um quadro que nas mãos de um pintor, se desenhariam, abstrações, expressões ou figuras, de todo o tipo. As bonitas, sempre mais belas e as outras, cada vez mais lindas.
É como que, a ladeira fosse mágica e tivesse vida. E quem por ali andar, passa a viver com ela as suas emoções. Tudo se transforma em poesia. Todos chegarão aonde querem chegar. Mas agora, felizes o bastante, para seus encontros de amor. Não importa que subiram ou desceram. Importa, que passaram por mais uma ladeira cheia de encantos. A ladeira do Tibério.
*Ricardo Lagreca é cardiologista, professor aposentado da Faculdade de Medicina da UFRN, ex-diretor do HUOL e ex-secretário estadual de Saúde do RN