Se vivo fosse o jornalista e escritor Nelson Rodrigues, contador das mais deliciosas crônicas envolvendo o ser mulher, algumas delas transformadas em peças teatrais, certamente estaria rindo da repercussão de uma crônica sob o título “Feliz é Natal”, de Márcio Nazianzeno (veja clicando aqui [1]) publicada na revista Playboy e republicada no blog em que retrata de forma rodriguesiana a mulher natalense.
Postei o texto aqui no blog por achar que merecia uma discussão sem homofobia e sem hipocrisia, até porque, como disse, trata-se de uma crônica escrita na visão de quem a escreveu, não necessariamente uma realidade. Confesso que me surpreendi com a repercussão, muitas das quais agressivas até a minha pessoa sem ter, sequer, culpa no cartório. Ser responsabilizado por ter reproduzido o texto? Convenhamos, isso seria até uma forma de bulling.
Antes de tudo quero dizer que tenho duas filhas jovens e que são natalenses da gema e nem por isso me senti ofendido e muito menos acho que a crônica ofendeu a elas. Longe de mim pensar desta forma. Um Senhor, que prefiro me privar de dizer o seu nome, chegou a dizer o seguinte: “O responsável pelo blog vai passar o resto do ano tentando justificar que o texto publicado foi para provocar o debate, mas não teve o cuidado de mostrar o seu pensamento, ou se teve, preferiu omitir. De certa forma ele “comeu como um pinto e cagou como um pato”.
Sequer este Senhor teve o cuidado de evitar palavras chulas simplesmente por discordar da crônica e do fato de ter republicado no blog. Disse-lhe que coloquei o texto no blog a título de debate na hora em que se discute tanto homofobia neste país e ser homofóbico não é ser apenas contra homossexuais, negros ou nordestinos não. Ser homofóbico é querer se impor ao pensamento dos outros também. Pois é. Não emiti a minha opinião sobre o referido texto porque, apesar de não concordar com algumas coisas nele colocados, na verdade, trata-se de uma crônica e como tal tem um tom de humor, embora que pareça grotesco para alguns.
Fato é que a repercussão do texto, que não é meu, e foi publicado numa revista masculina de veiculação nacional, levou ao debate um assunto que há muito Nelson Rodrigues tratava de maneira perspicaz. Diga-se que o ethos rodriguesiano está impregnado de uma perversa ambigüidade em relação ao feminino, o que não é o meu caso, sem hipocrisia e sem machismo.
Em tempo: Ethos é uma palavra grega que significa “caráter”. É usada para descrever o conjunto de hábitos ou crenças que definem uma comunidade ou nação.
* Outra: o jornalista ou pessoa que escreveu o texto reside em Natal.