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O maior roubo da história

por Marcelo Zero, no Brasil 247

Trump acaba de anunciar um dos maiores roubos da história. Talvez o maior. 

Seu governo declara que simplesmente se apropriará, de forma desavergonhada, e explorará livremente 65 bilhões de barris de petróleo das reservas da Venezuela. Multiplicado pelo preço do barril de hoje, de cerca de US$ 88, o valor monetário do roubo é de US$ 5 trilhões e 720 bilhões. Não creio que haja registro de um roubo desse calibre trilionário, de uma penada só.

Ressalte-se que não foi anunciado qualquer pagamento dos EUA para explorar essas reservas trilionárias.

Ao contrário do que afirmou um imbecil na televisão, não são “jazidas privadas”.

Na Venezuela, as jazidas e a produção de petróleo foram nacionalizadas em 1º de janeiro de 1976, ainda no governo de Carlos Andrés Pérez, muito antes de Chávez. 

Foi também no governo de Carlos Andrés Pérez que foi fundada a PDVSA, a operadora estatal da Venezuela.  

Ressalte-se que, nesse aspecto, o governo de Pérez seguiu, em grande parte, os conselhos de Celso Furtado sobre o tema.  

Furtado escreveu, em 1974, que o aumento dos preços internacionais do petróleo expandia o “campo do possível” da Venezuela e que, se o governo venezuelano tomasse as decisões corretas e investisse na sua agropecuária e na sua indústria, aquele país seria o primeiro da América Latina a se tornar “desenvolvido”.  

Não foi o que aconteceu, por diversos motivos. Prevaleceu a “doença holandesa”.

Mesmo assim, o Estado venezuelano, já naquela época, assumiu o comando total sobre a exploração, refino e comercialização das reservas.

Na década de 1990, devido à queda dos preços do óleo, foi permitida a entrada de multinacionais na produção e comercialização, mas as reservas não foram “privatizadas”.

Já no governo Chávez, em 2007, houve um maior controle do Estado na produção. Os contratos anteriores com multinacionais foram transformados em empreendimentos mistos, nos quais a estatal PDVSA passou a deter obrigatoriamente pelo menos 60% das ações. 

Por isso, algumas multinacionais resolveram sair da Venezuela, embora algumas tenham ficado, como a Chevron, que está lá até hoje. Contudo, foi a partir desse fato que a pressão geopolítica sobre Chávez começou a se avolumar. 

Agora, com a Venezuela convertida em protetorado, anuncia-se esse roubo histórico descarado. Evidentemente, não houve acordo algum. O atual governo da Venezuela foi forçado a aceitar a rapinagem trumpista. 

Pode-se perguntar se Tariflávio e outros candidatos da nossa direita prometeram algo semelhante a Trump, tanto em relação ao petróleo quanto aos minerais críticos. 

Não duvidamos. Boa parte das nossas oligarquias está alinhada com a doutrina “Donroe” e com a vassalagem geopolítica exigida por Trump. Essa é a maior corrupção que pode existir. Corromper os interesses nacionais. Vender o país. Torná-lo vassalo, quintal.

Lula é o único candidato efetivamente comprometido com a soberania nacional e com o Brasil. 

*Marcelo Zero é sociólogo, especialista em Relações Internacionais e assessor da liderança do PT no Senado

Fotos: Jamildo

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