por Carlos Alberto Barbosa
Estão querendo transformar a Covid-19 numa bandeira política quando a questão principal é a de salvar vidas. Seguidores de Bolsonaro usam as redes sociais e promovem carreatas para tentar intimidar os governos para pôr fim ao isolamento social, o que já ficou provado em todo o mundo que o isolamento de pessoas pode evitar um número maior de enfermos e de óbitos. Nos Estados Unidos Donald Trump debita a responsabilidade aos governadores e assim como lá, Jair Bolsonaro faz a mesma coisa no Brasil. Trump está fazendo escola.
O problema é que transformaram a pandemia numa bandeira política porque o cenário é de terra arrasada para a economia. Empresários – não todos, claro – que só visam lucros em detrimento da vida saem as ruas em seus carrões para pedir o fim do isolamento social. No entanto, as passeatas são regadas a cerveja e uísque como se fosse uma carreata política, que no final das contas se transformou.
O presidente Jair Bolsonaro, por sua vez, discursou neste domingo (19) durante um ato em Brasília na frente de um quartel do Exército que defendia uma intervenção militar, o que não está previsto na Constituição. Os seus seguidores apoiam, claro. A maioria dessa gente nem sabe o que foi o AI-5, porque se soubesse deveria saber que atos deste tipo eram proibidos na época da ditadura. Certamente nem Bolsonaro sabe!
Esta gente precisa entender que o isolamento social não beneficia ninguém porque o trabalhador tá deixando de ganhar dinheiro também, da mesma forma que os governos estão deixando de arrecadar, mas é preciso uma compreensão de que ou se faz o isolamento social ou a saúde entra em colapso. E isso não é surreal não, já começa a ocorrer.
Lotação nos leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de hospitais, caminhão frigorífico para armazenar corpos, aumento abrupto do número de pacientes que dependem de respiração mecânica, fila de espera nos serviços de emergência, já é ralidade neste país varonil.
O avanço da pandemia de coronavírus nos últimos dias intensificou a pressão sobre o sistema de saúde de capitais pelo país. A situação agravou-se, sobretudo, naquelas que concentram o maior número de mortos pela doença, casos de São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus e Fortaleza.
A situação é tão preocupante que prefeitos dos municípios dos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo receberam, na semana passada, do Exército um pedido de informações para desafio de se preparar para o pior cenário. Alguns, certamente, desconhecem isso, ou porque não leem, não escutam rádio e não assistem telejornais. Só se preocupam com os fakes nas redes sociais.
O documento foi enviado em caráter de urgência pelo Comando da Primeira Região Militar do Exército, responsável pela administração de todas as unidades militares dos estados do Rio e do Espírito Santo. O ofício pede aos chefes de postos que façam um levantamento de dados estatísticos referentes à quantidade de cemitérios, disponibilidade de sepulturas e capacidade de sepultamentos diários em suas áreas de responsabilidade.
Só não enxerga a gravidade da situação quem é ignorante ou tem má-fé. Ou, na melhor das hipóteses, cultiva o ódio contra a esquerda tentando imputar a crise econômica que se avizinha ao discurso anti-petista, porque estão deixando de ganhar dinheiro. Lembro aos desavisados que o ódio pode virar um transtorno psicótico.