No final de 2006, me lembro que o prefeito Carlos Eduardo Alves (PSB) reuniu à imprensa para um almoço que tinha como objetivo uma prestação de contas. O prefeito disse na ocasião que iria transformar Natal num canteiro de obras. É certo que vem cumprindo sua palavra, prova maior disso é a sua boa avaliação como administrador.
Nos últimos meses vem sendo lembrado pelas pesquisas que lhe dão uma popularidade de 67% e também, por isso, cobrado pelos aliados o apoio à sua sucessão. Carlos Eduardo Alves já disse que só se pronuncia sobre o assunto em maio, mas no íntimo ele quer passar a prefeitura ao candidato que escolher, e claro, se possível com o compromisso desse de apoiá-lo em 2010 para chegar ao governo do estado.
Sua candidata dos sonhos era a deputada federal Fátima Bezerra (PT), mas por questões internas dentro do seu partido, onde perdeu forças após o PED [Processo de Eleições Diretas] ocorrido em dezembro, quando seus candidatos aos diretórios municipal de Natal e estadual da legenda foram derrotados, a candidatura da parlamentar foi fragilizada.
Inviabilizada a opção preferencial, o prefeito passou a garimpar alternativas não só dentro do seu sistema político, mas como também fora. A julgar pelo seu posicionamento, Carlos Eduardo Alves mira o desejo de fazer o seu sucessor com três alternativas: o deputado federal Rogério Marinho (PSB), o deputado federal João Maia (PR) e o vereador Hermano Morais (PMDB). Não necessariamente pela ordem.
Carlos é enigmático quando fala sobre o assunto com a imprensa. Ele sabe que dificilmente o seu partido abrirá mão de uma candidatura própria, e que se apoiar um candidato de oposição, certamente poderá sofrer retaliações dentro do PSB. Mas ao mesmo tempo, o prefeito quer colocar na sua candeira uma pessoa em que possa confiar o seu projeto político. Além do mais, fazer o próprio sucessor é coisa que qualquer político que exerça cargo no Executivo deseja.
De resto, o que se observa das reflexões de Carlos Eduardo Alves sobre o processo sucessório, é que para ele o partido é menos relevante do que o nome que vai apoiar para sucedê-lo. E aí, encontrado o candidato ideal, as legendas principalmente as que fazem parte do sistema governista, devem render-se às evidências.