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Quarenta e cinco anos depois da “Carta aos Brasileiros”, um documento com o mesmo espírito, igualmente nascido na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (foto), reage à erosão de conquistas duramente alcançadas e às investidas golpistas do presidente da República Jair Bolsonaro.
Para comparar as duas iniciativas e a conjuntura que as produziu, Renata Lo Prete recebe dois signatários da peça que começou a circular na terça-feira e já alcançou mais de cem mil adesões – de empresários, intelectuais, artistas e quase uma dezena de ex-ministros do Supremo. O advogado criminalista José Carlos Dias, que foi ministro da Justiça e atualmente preside a Comissão Arns, fala com a experiência de quem teve papel decisivo na articulação da carta original.
Dias a descreve como “um laudo” da ditadura militar, que contribuiu para galvanizar a sociedade civil e expor as arbitrariedades do regime. “Hoje, aos 83 anos, me vejo obrigado a continuar nesta luta”, diz, emocionado.
Participa também do episódio Conrado Hübner Mendes, professor de Direito Constitucional da USP. Ele destaca a rápida expansão do novo documento para além das fronteiras da comunidade jurídica, o que atribui à gravidade do momento. “A ficha está caindo tarde”, avalia. E “o alarme, soando muito alto”.
Foto reproduzida da Internet