O senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, sempre se intitulou “padrinho” da candidatura da prefeita eleita de Natal, Micarla de Souza (PV). Isso ele nunca escondeu de ninguém. Mas alguma coisa faltou ser dita mais claramente em que condições Agripino lhe conferiu esse adjetivo. Todos sabem que o líder do Democratas no Rio Grande do Norte foi o maior arrecadador de dinheiro para a campanha da “borboleta”, como é chamada Micarla de Souza. Fala-se em cifras de R$ 5 milhões.
O que não foi contado, em pormenores, é que essa quantia foi arrecadada faltando uma semana para o primeiro turno. Há quem diga que o valor foi arregimentado junto a bancos privados, e que o imbróglio envolvendo o ex-prefeito de Natal, Carlos Eduardo Alves (PSB), que ao apagar das luzes firmou um contrato com o Banco do Brasil no valor de R$ 40 milhões para administrar a conta única do município, tenha sido uma represália. Explico: Não satisfeito com a atitude de Carlos Eduardo, Agripino teria orientado o vereador Enildo Alves (PSB), hoje líder da prefeita Micarla de Souza na Câmara, a entrar com uma ação na Justiça para bloquear a verba. O que ocorreu. A grana foi depositada em juízo e já no final de 2008 desbloqueada por determinação do presidente do STF [Supremo Tribunal Federal], ministro Gilmar Mendes. Por essa Agripino não esperava. Segundo uma fonte, com o compromisso com os bancos privados, a conta única da prefeitura de Natal quando Micarla assumisse o poder iria para o Bradesco, que administra a conta única da prefeitura de Mossoró, pertencente ao DEM. Mas deu chabu.
Outro fato que também não foi contado a miúdo, foi a indicação de Demétrius Torres, apadrinhado político de José Agripino, para a Semov [Secretaria Municipal de Obras e Viação]. Aí a briga foi – todos sabem – com o presidente da Assembléia Legislativa, deputado Robinson Faria (PMN), que também queria indicar um nome para a pasta. Mas Agripino falou mais alto, quando lembrou a Micarla que foi o maior arrecadador de sua campanha e acrescentou que Faria chegou a cogitar o nome do deputado federal João Maia (PR) para disputar a prefeitura de Natal apoiado pela governadora Wilma de Faria (PSB) e pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN). Isso prejudicaria a deputada Fátima Bezerra (PT), apoiada pelos dois líderes políticos, mas também resvalava em Micarla de Souza, que até então tinha o apoio do presidente da Assembléia Legislativa.