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O que Flávio Bolsonaro disse sobre o caso Master antes de mensagens revelarem pedidos de dinheiro a Vorcaro

Está no g1

O senador Flávio Bolsonaro [1] (PL) sempre negou ter relação com as irregularidades investigadas sobre o Banco Master. Nesta quarta-feira (13), mensagens e um áudio revelados pelo site Intercept Brasil mostraram o pré-candidato à Presidência cobrando dinheiro de Daniel Vorcaro [2] para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a reportagem, o banqueiro repassou R$ 61 milhões para bancar a produção “Dark Horses”, que ainda não foi lançada. A TV Globo confirmou com investigadores e pessoas com acesso às informações a existência do áudio e do conteúdo da reportagem.

Após a revelação dos diálogos, Flávio admitiu que pediu dinheiro para Vorcaro [3] e disse que tratou de um “patrocínio privado para um filme privado”. Ele negou ter recebido vantagens do banqueiro e acusou aliados de Lula de terem “relações espúrias” com o Master.

Horas antes de as mensagens serem publicadas, Flávio Bolsonaro deixou uma entrevista ao ser questionado por jornalistas sobre os áudios divulgados. O episódio aconteceu nas instalações do Supremo Tribunal Federal (STF), logo após uma reunião com o presidente da Corte, o ministro Edson Fachin.

A tentativa de associar o escândalo do Master ao PT é o discurso que ele sustentou nos últimos meses ao tratar do caso. No último fim de semana, durante um evento da pré-campanha em Santa Catarina, usou uma camiseta com a inscrição “O PIX é do Bolsonaro; o Master é do Lula”.

O senador também vinha defendendo a instauração de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) no Congresso para investigar o escândalo.

Segundo a reportagem do Intercept, Vorcaro deu dinheiro para filme entre fevereiro e maio de 2025. Os repasses foram para um fundo nos Estados Unidos de um aliado de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio.

Já os diálogos entre o senador e Vorcaro aconteceram entre setembro e novembro de 2025. Um dia antes da operação da Polícia Federal que prendeu o banqueiro prestes a embarcar em um jatinho para fora do país, Flávio mandou uma mensagem a ele e disse “estou e estarei contigo sempre” [4].

‘Vincular Bolsonaro ao Master não dá liga’

Durante uma entrevista coletiva no último fim de semana, Flávio afirmou que “a esquerda tenta criar narrativas querendo vincular de alguma forma o Bolsonaro à questão do Banco Master, mas não dá liga”.

“Não foi o Bolsonaro que se reuniu escondidinho com o Vorcaro, foi o Lula”, afirmou. Flávio se referia ao encontro ocorrido em 2024 no Palácio do Planalto, quando Lula recebeu Vorcaro fora da agenda oficial, a pedido do ex-ministro Guido Mantega.

Em fevereiro, Lula confirmou que houve a reunião e contou que apenas disse a Vorcaro que as investigações sobre o Master seriam técnicas [5], sem interferência política. Segundo o presidente, interesses privados não foram tema da conversa.

O senador do PL também citou um contrato de R$ 5 milhões firmado pelo Master com o escritório de advocacia de Ricardo Lewandowski [6], ex-ministro da Justiça de Lula. “Tinha um contratinho assinado com o Banco Master de alguns milhões ali, e depois que virou ministro da Justiça, seu filho continuou recebendo o mesmo contrato”, afirmou o senador.

Em janeiro, quando o contrato foi revelado, a assessoria de Lewandowski confirmou a prestação de serviços ao Master depois que ele deixou o Supremo Tribunal Federal (STF), em 2023, e disse que o ministro parou de atuar nos casos relacionados ao escritório após assumir o cargo no governo.

PT chama escândalo de ‘Bolsomaster’

No fim de abril, o PT exibiu um vídeo em seu congresso nacional em que associava o caso Master ao governo Bolsonaro, nomeando o escândalo como Bolsomaster. O argumento é que as irregularidades reveladas pela Polícia Federal ocorreram na gestão de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central indicado pelo ex-presidente. O material também cita doações de Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Vorcaro, à campanha de Bolsonaro.

Em nota, Flávio mais uma vez acusou o PT de ligações com o escândalo e citou a reunião intermediada por Mantega e o contrato de Lewandowski.

“As acusações do PT são mentirosas e absurdas. A tentativa de vincular o senador Flávio Bolsonaro revela o desespero de quem vê a crise atingir o próprio governo. Flávio não tem qualquer relação com o banco Master e esse esquema de corrupção ocorrido em 2024, já no governo Lula”, diz o texto.

Em nota, o Planalto divulgou posicionamento sobre as críticas de Flávio Bolsonaro ao Governo Lula:

“A única relação do Governo do Brasil com o Banco Master é a investigação rigorosa da Polícia Federal. “


Defesa de Ciro Gomes

Na semana passada, quando o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo de uma operação da PF [7], Flávio divulgou nota elogiando o ministro André Mendonça, do STF, por autorizar a ação. Ciro foi ministro da Casa Civil de Bolsonaro.

O senador afirmou que as informações eram graves e que as investigações deveriam ser feitas “com rigor e transparência”. A nota repercutiu mal entre alguns setores do Centrão.

Flávio também postou vídeos nas redes defendendo a criação de uma CPI do Master e voltou a tentar ligar o caso ao PT.

“A CPI do Banco Master precisa sair no papel. O povo brasileiro merece saber toda a verdade: Como esse banco cresceu? Quem estava por trás? Quem se beneficiou? E quais são as ligações do Master com a alta cúpula do PT nacional e da Bahia?”, disse ele.

Nesta quarta-feira, pouco antes da revelação de seus diálogos com Vorcaro, Flávio Bolsonaro mudou o tom ao falar de Ciro Nigueira. Em entrevista, disse que acreditava na inocência do senador aliado.

“O Ciro é um presidente de um partido importante, sofreu acusações graves, que ele, inclusive, já começou a explicar. Pelo menos, ele tem um relator no Supremo que não vai sacaneá-lo e vai dar oportunidade da defesa trabalhar, vai dar oportunidade do Ciro se explicar e provar que é inocente”, disse.




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