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O retrato da violência que vive o RN vivenciado pela jornalista Marília Rocha

O governo democrata de Rosalba Ciarlini parece está mais preocupado em gerar pauta na mídia do que propriamente solucionar os problemas que rondam o estado, tais quais a insegurança, o caos na saúde, e a seca que assola o interior, sem falar na educação. Aliás, a bem da verdade, o governo vai muito bem na propaganda institucional veiculada na televisão.

Não adianta promover reunião com a base aliada para discutir a reforma do secretariado se, sequer, a governadora não estava presente. Isso é mais para gerar notícia na mídia e esconder o verdadeiro desastre que é a administração Rosalba Ciarlini. Já vi esse filme antes aqui em Natal onde a protagonista foi a Sra Micarla de Sousa, cuja administração a chamava de “gestão de mídia”.

Volto a criticar o governo Rosalba pois que a insegurança em nosso estado, sobretudo Natal, continua efervescente. Agora mesmo a colega e amiga Marília Rocha postou no twitter a experiência negativa que ela e amigos sofreram na última sexta-feira, quando quatro assaltantes fizeram um arrastão numa lanchonete na capital potiguar onde ela e os amigos se encontravam. Segue o relato da jornalista cujo texto foi publicado no blog de Thalita Moema e reproduzido aqui neste espaço:

Obs: O título do texto é meu

A insegurança nossa de cada dia. Até quando Sra. governadora?

Nos últimos dois meses, tenho sentido uma vontade intuitiva de esconder meus “pertences”, guardando meus cartões em casa e colocando senhas nos celulares, tablet e bloqueando o computador para um (antes) possível e quase provável roubo.  A sensação de insegurança que vivemos hoje, somada as notícias sobre crimes, roubos e homicídios só fez crescer os meus cuidados com os objetos pessoais.

Deixando de lado a intuição, na noite de sexta senti na pele o que é ser refém da criminalidade ao ficar com duas armas apontadas para a minha cabeça em mais um roubo na cidade. O que vira estatística para a Polícia, virou uma lembrança ruim pra mim. Aliás, para umas 15 pessoas que estavam lanchando na hora do roubo.

Enquanto ouvia as orientações dos quatro assaltantes, lembrei rapidamente das regras de segurança: não olhar para o rosto deles, não fazer perguntas, não reagir e não expressar medo.  Cumpri rigorosamente com todas elas. Não olhei para os algozes, não reagi e não os surpreendi. Mas eles estavam lá, rodeando a mesa que eu e mais três amigos estávamos. Nada mudava aquilo.

Para uma mulher, de saia e com adornos, o pânico de ser seqüestrada e violentada é grande. Senti isso e vi o mesmo medo nos olhos da minha amiga. Olhei para o chão. Só consegui tirar um brinco para entregar a eles, enquanto o outro assaltante cobrava as bolsas, relógios, celulares, carteiras, pulseiras e correntes de todos, em todas as mesas: um verdadeiro “arrastão”.

Eu ia entregar tudo que estava comigo no momento, mas antes que eu pudesse pegar, as armas apontaram o que eu deveria fazer: apenas ficar quieta. Eles se encarregaram de arrancar de mim e de todos que estavam lá, todo o resto e por sorte, sem violência.

Além dos objetos pessoais e de dois carros, ele levaram a nossa reação e graças a Deus, todos estão bem, não há feridos, nem mortos.

Por um minuto, me impressionei com o silêncio das pessoas que reagiram da maneira correta –  de exatamente – “não reagir”. Eu que já estava intuitivamente “preparada” para ser vítima de um furto ou roubo como já citei, fiquei calma.

Não que eu acredite que devemos estar “preparados”, ao contrário, devemos cobrar cada dia mais ações e segurança para que os outros não passem pelo que passei, mas de certa forma, eu estava confiante de que ia ficar tudo bem.

Passados alguns minutos do arrastão, os assaltantes foram embora. Foram os minutos mais longos que já vivi. A insegurança não tem mais local, nem horário para atuar. Os bandidos não têm nome, rosto, cor, aparência.. apenas armas. E muitas armas…

Guardei comigo a calma porque só ela foi capaz de me ajudar naquele momento, entreguei tudo que tinha e passou. Eles passaram. Deus foi bom conosco, ninguém ferido, ninguém seqüestrado, ninguém morto.

Na volta para casa, resolvi reagir. Podia ter chorado, pelo susto, pelo medo, pelo pavor. Resolvi reagir de outra forma: escrevendo. Que esse texto sirva para cada um como um alerta e uma lição de que a calma, que guarda palavras e que é sinônimo de paz me salvou ontem.. a história podia ser outra, bem pior, bem triste e com final infeliz. Mas a calma e suas boas conseqüências imperou ontem e nos salvou.. que cada leitor lembre disso.

Marília Rocha
Jornalista
@marilia__rocha

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