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Contradições sobre contrato e financiamento de filme de Bolsonaro ampliam pressão sobre filhos do ex-presidente

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As versões apresentadas por filhos e aliados de Jair Bolsonaro sobre o financiamento do filme Dark horse passaram a ser alvo de novos questionamentos e ampliaram a pressão política em torno da produção. As declarações divergentes sobre contratos, investidores e repasses financeiros levaram a Polícia Federal a aprofundar as investigações sobre a origem e o destino dos recursos utilizados no longa.

Segundo reportagem publicada pelo jornal O Globo, a principal linha de apuração busca esclarecer se os valores enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e ligado ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), foram usados exclusivamente na produção do filme ou também ajudaram a custear despesas do ex-deputado nos Estados Unidos.

A crise ganhou força após a divulgação de mensagens atribuídas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas quais ele cobrava repasses financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para a conclusão do longa. Desde então, aliados políticos, produtores e empresas relacionadas ao projeto passaram a apresentar explicações diferentes sobre os contratos firmados e a estrutura utilizada para operacionalizar os pagamentos.

Inicialmente, Flávio negou ter pedido dinheiro a Vorcaro para o filme sobre a trajetória de seu pai e classificou a informação como “mentira”. Posteriormente, admitiu que buscou patrocínio privado e confirmou a existência de um contrato relacionado ao projeto.

“Sim, tinha um contrato”, declarou o senador.

Na quinta-feira, em entrevista à GloboNews, Flávio acrescentou uma nova justificativa para não ter tratado do assunto anteriormente. Segundo ele, o contrato possuía cláusulas de confidencialidade.

Divergências sobre o contrato aumentam dúvidas

Uma das principais lacunas apontadas pelas investigações envolve justamente quem assinou o contrato mencionado por Flávio Bolsonaro e qual foi a estrutura jurídica usada para formalizar os investimentos.

Enquanto o senador afirmou que Daniel Vorcaro “tinha um contrato” e deixou de pagar parcelas previstas para o filme, o deputado federal Mario Frias — que atua como produtor-executivo do longa — apresentou outra versão. Segundo Frias, o acordo não foi firmado diretamente com Vorcaro nem com o Banco Master, mas com a empresa Entre Investimentos, descrita por ele como uma “pessoa jurídica distinta”.

As declarações conflitantes deixaram em aberto quem eram exatamente as partes envolvidas no contrato, quem autorizou os aportes e qual empresa recebeu oficialmente os recursos.

PF tenta esclarecer destino dos recursos

Outro ponto central da investigação envolve a efetiva transferência do dinheiro. Flávio Bolsonaro afirmou que Vorcaro realizou pagamentos em “parcelas” e disse que outros investidores precisaram completar posteriormente o financiamento do projeto.

A produtora GoUp, responsável pelo longa, adotou uma linha diferente. A empresa sustenta que conversas e negociações não significam necessariamente que houve repasses financeiros efetivos e evita confirmar os valores que teriam sido aportados pelo banqueiro.

As declarações entram em choque com a versão apresentada pelo publicitário Thiago Miranda, que afirmou ter intermediado negociações ligadas ao filme e relatou que Mario Frias buscava investidores para concluir a produção.

Reportagens já publicadas apontam a existência de documentos que indicariam transferências de cerca de R$ 61 milhões relacionadas ao projeto.

Fundo no Texas virou peça central da apuração

Ao explicar o caminho percorrido pelos recursos, Flávio Bolsonaro afirmou que os valores foram enviados ao Havengate Development Fund LP, fundo sediado no Texas e ligado ao advogado de Eduardo Bolsonaro.

Segundo o senador, tratava-se de um fundo “exclusivo” para financiar o filme Dark horse. A Polícia Federal, entretanto, busca esclarecer se a estrutura também teria servido para custear despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

O ex-deputado nega que recursos do fundo tenham sido utilizados para gastos pessoais.

As investigações ganharam novo impulso após a divulgação de documentos e relatos que apontariam Eduardo Bolsonaro como produtor-executivo do longa.

Relação entre Flávio e Vorcaro passou a ser questionada

Outro aspecto que passou a chamar atenção dos investigadores envolve o grau de proximidade entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro.

Desde a divulgação das primeiras mensagens, o senador afirmou que conheceu o banqueiro apenas em dezembro de 2024 e que o relacionamento entre ambos se restringia às negociações sobre o financiamento do filme.

Na sexta-feira, porém, Flávio admitiu a possibilidade de surgirem novos registros de contato com o empresário.

“Pode vazar novas conversas, pode vazar um videozinho mostrando o estúdio que eu posso ter enviado, algum encontro que eu possa ter tido com ele. Foi tudo exclusivamente para tratar somente do filme”, afirmou o senador em entrevista à CNN Brasil.

Questionado sobre quantas vezes teria se encontrado com Vorcaro, Flávio respondeu que não saberia “precisar quantas vezes”, embora tenha afirmado que os encontros foram “poucos”.

As novas declarações ampliaram dúvidas sobre a dimensão real da relação entre os dois e sobre até que ponto as tratativas ultrapassaram o financiamento do longa.

STF abre nova frente de investigação

A crise ganhou ainda outra dimensão após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar uma apuração preliminar sobre emendas parlamentares destinadas por deputados bolsonaristas a uma ONG ligada à sócia da produtora responsável pelo filme.

Segundo informações do STF, deputados do PL destinaram R$ 2,6 milhões em emendas Pix, em 2024, à entidade presidida pela sócia da produtora envolvida no longa.

Flávio Dino analisará se houve descumprimento das regras de transparência e rastreabilidade exigidas pelo Supremo para esse tipo de repasse.

Embora a investigação não trate diretamente do financiamento privado ligado a Daniel Vorcaro, ela ampliou os questionamentos sobre a estrutura financeira utilizada na produção e sobre uma possível mistura entre recursos públicos e privados em entidades relacionadas ao projeto.

Lista de investidores segue sob sigilo

Os responsáveis pelo filme afirmam que Dark horse contava com mais de uma dezena de investidores privados. Até o momento, porém, não foi apresentada uma lista detalhada dos financiadores, dos valores investidos ou do modelo de prestação de contas utilizado na produção.

O próprio Flávio Bolsonaro afirmou que gostaria que essa relação fosse divulgada.

Enquanto as investigações avançam, a sucessão de versões divergentes passou a aumentar a pressão política e jurídica sobre os filhos de Jair Bolsonaro e os envolvidos na produção do filme.

Foto reproduzida da Internet

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