Estranhei ontem o telejornal de maior audiência no país, o Jornal Nacional, da TV Globo, não ter dado sequer uma nota sobre a Operação Higia, que resultou na prisão pela Polícia Federal, do filho da governadora do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB), advogado Lauro Maia. Maia foi preso sob a acusação de tráfico de influência em licitações fraudulentas ocorridas dentro do governo do estado, do qual é, sequer, servidor público.
O que é mais estranho, é que o Jornal Hoje, da mesma emissora, e que vai ao ar no início da tarde deu a matéria, inclusive, com imagens e chamadas na abertura do telejornal. Mas, à noite, o JN calou sobre o assunto. O que terá acontecido? Que forças ocultas atuaram para que o JN não divulgasse a notícia? Será que a censura funcionou no jornal comandado por William Bonner?
Enquanto à imprensa nacional deu destaque ao assunto, até porque trata-se de uma operação que envolve um grande esquema de corrupção em dois estados – Rio Grande do Norte e Paraíba – , além da prisão de um filho de uma governadora, o Jornal Nacional omitiu-se. Praticou o anti-jornalismo e furtou o telespectador de saber detalhes da Operação Higia. É lamentável que a censura ainda esteja ocorrendo no jornalismo brasileiro.