Está no Blog do Valdo Cruz, no g1
Depois do tarifaço de 25% na semana passada [1], o governo brasileiro aguarda para esta ou próxima semana a definição sobre novo aumento de 12,5% de tarifas — fruto de uma investigação americana sobre importação de produtos produzidos com trabalho forçado em outros países [2].
A ordem no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva [3] (PT) é buscar aumentar a lista de exceções de produtos brasileiros [4] sujeitos às novas tarifas e retomar as negociações [5].
Nada de radicalismo nem rompantes, porque é isso, na avaliação de assessores presidenciais, que o presidente norte-americano Donald Trump [6] e o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro [7], desejam.
Se isso acontecer, ambos podem atacar o governo Lula [8] de intransigente e afirmar que Lula submete os planos eleitorais aos interesses das empresas brasileiras.
O Brasil vai insistir na retomada das negociações, mas avalia que, se antes a equipe do presidente dos Estados Unidos não quis de fato negociar, não será agora que eles vão mudar de posição.
“Eles colocaram na mesa temas inviáveis de negociação. E eles sabiam disso. Ceder seria muito prejudicial para as empresas brasileiras, como zerar imposto de importação nos setores químicos, automotivos e de etanol”, reclama um assessor presidencial.
O governo Lula calcula bem sua reação às decisões de Donald Trump porque, hoje, a maioria dos brasileiros tem uma avaliação negativa do presidente dos Estados Unidos eassocia o pré-candidato do PL, Flávio Bolsonaro, ao novo tarifaço. [10]
Inicialmente, a equipe de Lula falou em acionar a Lei da Reciprocidade [11] Econômica. Isso não está descartado, mas o processo é demorado. [12]
🔎A Lei da Reciprocidade Econômica autoriza o governo brasileiro a adotar medidas contra países ou blocos econômicos que imponham barreiras comerciais consideradas prejudiciais ao Brasil. Entre as possibilidades previstas estão a elevação de tarifas sobre produtos importados, a suspensão de benefícios comerciais e outras restrições econômicas.
A preferência é insistir nas negociações, buscando passar para o lado dos Estados Unidos a decisão de não retomar as conversas.
Por sinal, dentro do governo ninguém acredita que algo seja acordado antes das eleições presidenciais no Brasil.
Na avaliação de integrantes do governo, os últimos movimentos da equipe de Donald Trump são na linha de apoiar a eleição de Flávio Bolsonaro.
Foto reproduzida da Internet