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Os oportunistas foram enxotados pela elite

De uma coisa temos certeza. A elite paulistana, ao menos isso, está começando a perceber que o discurso contra a corrupção não pode ser direcionado apenas ao PT. Partidos como DEM, PMDB e até o PSDB, do tucano Aécio Neves, têm que entrar no rol da corrupção de fato e de direito.

Neste domingo tivemos na capital paulistana um desenho disso quando o governador Geraldo Alckmim juntamente com o senador Aécio Neves e o coordenador de campanha do candidato à Presidência da República pelo PSDB, senador José Agripino Maia (DEM-RN) foram literalmente enxotados do movimento pelo impeachment da presidenta Dilma, sendo xingados e chamados de oportunistas. Aécio Neves tratou logo de pegar o avião e retornar para Belo Horizonte, de onde nunca deveria ter saído.

Como se percebe, até parte da elite já começa a enxergar que a corrupção é antiga neste país e não difere de cor partidária. Aliás, bom que se diga que levantamento feito pelo Datafolha revela que, apesar do aumento do público, o perfil dos manifestantes continua o mesmo: elitizado. Renda e escolaridade superiores à média nacional são algumas das características dos que foram às ruas ontem, mas que ao menos já começam a ver a roubalheira de uma maneira mais, digamos, diferenciada.

A diversidade de alvos, como bem disse o jornalista Josias de Souza em seu blog, expõe a exaustão da política brasileira.

–  Os chamados homens públicos poucas vezes estiveram tão por baixo. O principal movimento político do país é extraparlamentar. Usa as ruas como tribuna. Nesse ambiente, congressistas e governantes são vistos como meros homens de ben$. E a única unanimidade positiva é Sérgio Moro, um juiz de primeiro grau que virou popstar por colocar atrás das grades a oligarquia corrupta e corruptora do país.

O Brasil se ressente de uma liderança política capaz de contornar o conturbado momento porque passa o país. Um juiz federal ser eleito “herói” ou “Salvador da Pátria”, é por demais perigoso.

Contudo, a multiplicidade de alvos dos protestos deste domingo é reveladora do ponto a que chegou a política brasileira. Além de Dilma e Lula, os manifestantes miraram em personagens que estão pendurados na linha de sucessão da República: o pluri-investigado Renan Calheiros e o réu Eduardo Cunha, presidentes do Senado e da Câmara. Hostilizaram também gente como o senador Aécio Neves e o governador Geraldo Alckmin, alternativas presidenciais do PSDB, observou o jornalista.

Me preocupa agora é saber que o destino do Brasil está nas mãos de um hipotético “Salvador da Pátria”, já que os “oportunistas” na visão da elite brasileira, caíram também na vala comum da corrupção.

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