A política tem coisas surpreendentes. Os vilãs de ontem querem ser os heróis de hoje. Vejam José Sarney (PMDB-AP), candidato à presidência do Senado. Depois de dizer que não seria candidato de jeito nenhum, e que apoiaria a recandidatura do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN) para presidir a Casa, tornar-se agora candidato e pede que o rival Tião Viana (PT-AC) desista de sua postulação ao cargo. Em resposta, Viana disse: “Sarney não tem autoridade moral para me pedir isso. Sobretudo depois de ter dito a mim, cinco vezes, que não seria candidato e que votaria em mim …”. A quem Sarney enganou: a Garibaldi, companheiro de partido ou a Tião Viana, aliado político?
E tem mais: Para conseguir seu intento, Sarney anda prometendo mundos e fundos aos oposicionistas. Até a Fernando Collor (PTB-AL), que sofreu impeachment enquanto presidente da República passando oito anos sem poder exercer cargos públicos, e quando eleito senador pelas Alagoas foi um dos parlamentares mais faltosos na legislatura passada, ele está prometendo a presidência da Comissão de Relações Exteriores em torca do apoio do PTB à sua candidatura.
Vejam Renan Calheiros (PMDB-AL), o grande articulador da candidatura Sarney. Afastado da presidência do Senado por falta de decoro parlamentar, acabou negociando sua cassação. Agora pode voltar a dar às cartas no Senado. Líder de uma “tropa de choque” invejável na Casa, Calheiros está prestes a voltar a se fortalecer políticamente. É aquilo: Os viãs de ontem querem ser os mocinhos de hoje. A conferir!