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País acessa de graça imagens iguais às do satélite que governo quer comprar, dizem especialistas

“Imagens de satélite do tipo radar que revelam desmatamentos na Amazônia mesmo em regiões cobertas por nuvens são acessadas de forma gratuita e já podem ser usadas pelo governo nas ações de fiscalização ambiental desde, pelo menos, junho passado. É o que informaram dois especialistas”, escreve Rubens Valente em sua coluna no UOL. 

O colunista [1] denuncia que a suposta falta de acesso às chamadas imagens-radar é a justificativa apresentada pelo Ministério da Defesa para a aquisição de um microssatélite no valor de R$ 145 milhões. 

O Ministério da Defesa alega que atualmente o Inpe não teria a capacidade de “ver” o solo da região amazônica na época das chuvas, por causa das nuvens.

“A coluna apurou, contudo, que imagens desse tipo já são acessadas pelo Inpe e, a partir dele, podem ser analisadas por diversos técnicos brasileiros, inclusive os envolvidos na operação GLO (Garantia da Lei e da Ordem) chamada de “Operação Verde Brasil 2″ e comandada pelo MD. Os dados podem ser baixados pelos pesquisadores a partir de um endereço da ESA (Agência Espacial Europeia) na internet”.

“A política da ESA é de acesso livre e o interessado consegue baixar e utilizar as bases de dados, desde que tenha suficiente preparo técnico. O acesso é gratuito, mas a ciência por trás da análise e da interpretação do material não é simples, dizem os especialistas que pediram para não ter os nomes divulgados”.

“São imagens-radar obtidas pelo satélite Sentinel-1 que opera na banda, ou faixa de frequência, C, e foi lançado ao espaço em 2014 pela ESA. Para os especialistas, o valor que vem sendo divulgado pelo MD só poderia comprar um satélite da banda X, que é considerada inferior à banda C. Ou seja, nesse cenário o Brasil pagaria R$ 145 milhões por uma tecnologia que possibilitaria imagens que o país já tem de graça e em melhor qualidade”.

“O MD se recusa a fornecer detalhes sobre o satélite que pretende comprar, incluindo a banda que está buscando. A banda é determinante para saber a eficácia do equipamento sobre o terreno amazônico. Indagado pela coluna pelo menos duas vezes em uma semana, o MD não informou a banda”.

“Estima-se que um satélite de banda C, como o Sentinel-1, custe dez vezes mais do que um da banda X. O microssatélite que produz imagens-radar é do tamanho aproximado de uma caixa de sapato, com peso máximo de 500 kg. O Sentinel-1 é do tamanho de um Fusca e pesa cerca de 2,3 toneladas. Ele foi avaliado, quando do seu lançamento em 2014, em 280 milhões de euros, ou R$ 1,8 bilhão pelo câmbio desta quinta-feira (28)”.

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