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Países importadores anunciam restrições à carne brasileira após operação da PF

Está no G1

Após a Operação Carne Fraca [1], que apontou fiscalização irregular de frigoríficos no Brasil, alguns países importadores anunciaram restrições temporárias à entrada de carne brasileira, entre eles a União Europeia, Coreia do Sul e China. Estes 3 países juntos responderam por 27% das exportações brasileiras de carne em 2016.

  • UE: pediu que o Brasil suspenda a exportação de empresas envolvidas
  • CHINA: carnes brasileiras estão retidas nos portos
  • COREIA DO SUL: baniu frangos da BRF; empresa diz que não foi notificada
  • CHILE: suspendeu temporariamente a importação da carne bovina

O governo brasileiro trabalha para que as restrições fiquem restritas somente às 21 unidades investigadas, e não a todas exportadoras. Durante um evento em São Paulo nesta segunda-feira (20), o presidente Michel Temer afirmou que o agronegócio não pode ser desvalorizado por um “pequeno núcleo” [2].

Segundo o presidente, 6 das 21 unidades suspeitas de fraudes exportaram nos últimos 60 dias. Em uma tentativa de tranquilizar os países importadores, Temer reuniu embaixadores para jantar em uma churrascaria [3] de Brasília, no domingo.

Entre as investigadas, 5 unidades já foram suspensas [4] de forma preventiva, informaram associações do setor. Quatro delas estão impedidas de exportar para a União Europeia, e uma para Hong Kong. As unidades fechadas não podem operar nem no mercado interno.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador. O setor vendeu para mais de 150 países no ano passado e agora se preocupa com os impactos negativos do esquema de venda de carne supostamente adulterada.

A Operação Carne Fraca [1] foi deflagrada na última sexta-feira (17), com mais de 1 mil policiais envolvidos para cumprir 309 mandados, depois de 2 anos de investigações. No total, são 21 empresas são suspeitas de fraudes.

A ação envolve grandes como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas, mas também frigoríficos menores, como Mastercarnes e Peccin, do Paraná. As empresas negam irregularidades [5].

As medidas

Segundo o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as vendas de carnes para a União Europeia, Coreia do Sul e China cresceram nos últimos anos e ganharam peso na pauta exportadora brasileira.

Em 2013, somaram US$ 2,82 bilhões, o equivalente a 17,8% de toda a exportação de carne do Brasil a outros países. Em 2016, passou para US$ 3,67 bilhões, 27,2% do total.

Veja quais países já anunciaram medidas:

União Europeia

Enrico Brivio, da Comissão Europeia, disse nesta segunda-feira (20) que o grupo está monitorando as importações de carne e exigiu que o Brasil suspenda temporariamente a exportação [6] de empresas envolvidas em fraudes. O nome de nenhuma empresa foi citado.

Questionado sobre o tipo de carne envolvida na investigação – e que terá a compra suspensa -, o porta-voz afirmou que, de acordo com relatos iniciais, trata-se de frango, em sua maior parte.

De acordo com Brivio, intensos contatos diplomáticos foram feitos durante o fim de semana. O governo brasileiro enviou uma resposta nesta segunda-feira, mas a comissão pediu mais informações sobre mercadorias que estão a caminho da Europa.

O comissário afirmou que, por enquanto, não há nenhum alerta sobre as carnes brasileiras que já estão nos mercados europeus.

A Comissão Europeia já foi notificada sobre a suspensão de exportações de estabelecimentos suspeitos e acrescentou que o escândalo da carne não terá qualquer impacto nas negociações em curso entre a União Europeia e o Mercosul, no qual os dois lados esperam chegar a acordos sobre livre comércio.

Considerando apenas a União Europeia, as exportações caíram no entre 2013 e 2016, passandode US$ 2,24 bilhões para US$ 1,75 bilhão.

Coreia do Sul

A Coreia do Sul vai intensificar a fiscalização de carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente as vendas de produtos da BRF. De acordo com a agência Reuters, as informações estão em um comunicado do Ministério da Agricultura sul-coreano.

O ministério disse que fornecedores brasileiros de carne de frango terão que enviar um certificado de saúde emitido pelo governo brasileiro. Mais de 80% das 107.400 toneladas de frango importadas pela Coreia do Sul no ano passado vieram do Brasil, sendo quase metade fornecida pela BRF.

Por meio de nota, a BRF informou que não foi notificada oficialmente a respeito dessa “suposta suspensão” e por isso não vai se manifestar. “A companhia reitera que cumpre todos os padrões exigidos pelas autoridades brasileiras e dos países em que opera.”

No caso da Coreia do Sul, as exportações de carne saltaram de US$ 136 milhões, em 2013, para US$ 181 milhões, em 2015. No ano passado, caíram para US$ 170 milhões.

O governo brasileiro e a embaixada da Coreia do Sul foram procurados pelo G1, mas ainda não se pronunciaram.

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